Na Coluna Magis, publicada no Diário Popular nesta segunda-feira, 21 de dezembro, , o jornalista Pablo Rodrigues dedica o espaço ao espetáculo Náufragos urbanos, no Teatro Esperança.
Em Jaguarão, todos são devedores do rio. Por lá, quem não conhece o rio, desconhece o homem. O rio - a travessia - o homem. Em Jaguarão, a poesia de Martim César é hoje rosiana e reveladora canoa: “rio abaixo, rio a fora, rio a dentro”. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça: Náufragos urbanos - Cartas de marear, de Martim César, Ro Bjerk e Ricardo Fragoso. Poesia pura, em canções.
O leitor duvida, crê que exagero? Veja um breve trecho do samba Faca de ponta (Carta 2):
“Às vezes o mundo nos pega de ponta Nos leva por conta sem nos consultar E somos tão frágeis pra vencer a corrente Que nos leva, inclemente, pros perigos do mar
Mas nem por isso, amigo, eu descreio do mundo Pois já sei, lá no fundo, que viver é lutar Para aqueles que querem que eu lamente os espinhos Planto flor nos caminhos e convido a sonhar”
No recital de apresentação de Náufragos urbanos, na última sexta-feira à noite, o público do Teatro Esperança viu-se remoçado. E - “A vida nos pede bem mais!” - despertou, como quem de repente se lembrasse que, postas à parte todas as míseras tristezas cotidianas, teve, tem e sempre terá vocação à alegria. E à beleza. Porque há, sim, o direito à alegria. E à beleza. Sei que não falo só por mim. Definitivamente, não falo só por mim. Falo por quem nem sei. Tanta gente à minha volta.
Tudo em Náufragos urbanos é talento e delicadeza. Em Casa vazia (Carta 4), canção digna de um Lupicínio Rodrigues, o diálogo entre a voz de Ro Bjerk e a flauta de Gil Soares encanta, abre portas e escancara janelas: leva o ouvinte, não sem doçura, à casa da melancolia. Herdeiro de Neruda, Martim César é capaz de falar - com igual engenho - sobre lutas e amores. Ouso dizer que, atualmente, na poesia do Rio Grande do Sul, não há quem dele se aproxime, tamanha versatilidade em compor.
As parcerias do álbum são todas acertadíssimas. O time de músicos foi escolhido a dedo. Além dos excelentes Ricardo Fragoso (que assina quase todas as músicas com Martim), Ro Bjerk e Gil Soares, também transitam pelas canções Paulo Timm, Aluisio Rockemback, Renato Popó, Fabrício Moura (Pardal), Jucá de Leon, Daniel Zanotelli, Lyber Bermudez, Eduardo Varella, Davi Mesquita Batuka, Jortan Lima e Hélio Mandeco.
Ainda na noite da última sexta, o público do Teatro Esperança pôde arrepiar-se, antes da apresentação de Náufragos urbanos, com a voz firme e doce de Laura Correa, cantora uruguaia de apenas 16 anos inacreditavelmente pronta para os palcos. Vê-la, em Jaguarão, misturada a Martim e a tantos outros, é reafirmar que, sim, Schlee esteve sempre certo: na fronteira, tudo é “uma terra só”.
Uma cidade vale pelo tanto que acrescentou de patrimônio cultural ao mundo. A Jaguarão, bastaria ter parido Aldyr Garcia Schlee e sua literatura. Há quem trocaria reinos por O dia em que o papa foi a Melo ou Contos gardelianos. Contudo, esta pequenina terra jaguarense - maravilhoso mundo - não se cansa de parir artistas, de espalhar encantamento e luta. Deve ser o rio. Só pode. Gracias, Martim! Gracias, Jaguarão!
Time de músicos do Náufragos Urbanos no Teatro Esperança
Reportagem do Diário Popular mostra o andamento das obras de restauro do Theatro Esperança já em seu estágio de finalização.
O bater dos martelos e o barulho de uma serra elétrica ainda ecoam na
famosa caixa acústica do Teatro Esperança. Mas, a sinfonia claramente
dissonante alegra quem a ouve, de perto ou de longe. Os sons
desagradáveis são sublimados por prenunciarem a volta triunfante deste
querido e precioso templo da arte jaguarense, e também do país, que em
breve estará pronto para receber espetáculos e voltar a reverberar o som
harmônico da cultura pulsante.
A leitura ainda é a melhor maneira de se qualificar autores e apreciadores do gênero, dizem poetas (Foto: Jô Folha - DP)Projeto do músico Vicente Botti está na 15ª edição (Foto: Jô Folha - DP)Daniel Moreira e Ediane Oliveira estão entre os fundadores da revista eletrônica Mandinga (Foto: Jô Folha - DP)
Depois de tempos de monotonia, o envolvimento em torno da poesia, em Pelotas, tem dado sinais de que está se revigorando novamente. Nos últimos quatro anos diferentes projetos que envolveram o gênero - confrarias e a retomada dos saraus, característicos do século 19 no município - atestam que a produção deste ramo da literatura ganhou novos autores, que trouxeram trabalhos eloquentes e de qualidade. Enfim, um fortalecimento que faz a alegria dos apreciadores, poetas e futuros poetas, que se sentem mais à vontade para mostrar suas criações.
Neste ano, o 160º de nascimento do poeta, dramaturgo e jornalista Francisco Lobo da Costa deu mais um impulso em torno da discussão do gênero. A data do aniversário de Lobo da Costa, 12 de julho, passou há pouco mais de uma semana a ser dedicada à poesia e aos seus autores, com o Dia do Poeta Pelotense. A homenagem em forma de projeto de lei, proposta pelo vereador Luiz Henrique Viana (PSDB), foi sancionada no dia 10 deste mês pelo prefeito Eduardo Leite.
A projeção da obra do poeta pelotense, um dos nomes mais expressivos do movimento romântico na literatura gaúcha, também vai inspirar a 41ª Feira do Livro de Pelotas, de 31 de outubro a 17 de novembro, que homenageará Lobo da Costa. Com o tema Poetize sua vida a Feira promete ser mesmo especial. A organizadora Gilcéia Bender, da Maxi Eventos, diz que autores ligados à área estão ajudando a compor uma programação com foco na poesia. A ideia é oferecer oficinas, encontros do público com quem que escreve, estimular os pequenos estudantes à leitura e à escrita do gênero e proporcionar que a produção poética esteja presente durante todo o evento.
Mudança no cenário Para autores como Daniel Moreira e Ediane Oliveira essa é uma excelente notícia. Natural de Caçapava do Sul, Moreira, 34, tem dois livros editados Poemas urbanos, em 2009, e [re]Versos, de 2012. Há quatro anos, quando lançou a primeira coletânea, a cena literária de Pelotas não estava convidativa, lembra o autor.
Até então, Moreira era frequentador do Café com Poesia, projeto realizado no extinto bar Minifúndio. Para alegria do poeta, na sequência da estreia literária foi convidado para participar do primeiro Sarau Poético-Musical da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP), em maio do ano seguinte.
De convidado passou a organizador do sarau por nove edições, juntamente com Daniela Castro e Mara Agripina. Paralelamente a cena poética pelotense começou a se movimentar com outros eventos, como o Poesia no Bar, criado pelo músico Vicente Botti. O projeto previa a distribuição de poesias, escritas por autores locais ou não, no formato de marcadores de livros, durante uma atividade artística.
Na época, Vicente Botti convidou Moreira para participar arregimentando autores. A concepção de arte dos marcadores ficou a cargo do designer Valder Valeirão. “O bar entrava com o custo da impressão”, conta Moreira. A iniciativa bem-sucedida congregou outros poetas. Atualmente o Poesia no Bar transita também fora de Pelotas e a sua 15ª edição ocorreu na sexta-feira em Jaguarão.
Daniel Moreira que participa deste e outros projetos conta que a parte mais surpreendente destes encontros, para ele, é quando se abre para o público falar. A partir daí novos contatos são feitos. “Tem curiosidades, como a do rapaz que me perguntou 'como se faz para virar poeta'”, lembra. A resposta foi simples: “... ler muito, ouvir muito e participar dos eventos”.
Mandinga Arte Literatura Com o cenário positivo, os poetas resolveram ir além da promoção de eventos culturais. Há poucas semanas criaram o Mandinga Arte Literatura, um espaço na internet para “fortalecer a produção, o intercâmbio e a divulgação da diversidade artística, sem fronteiras e sem limites”, segundo os fundadores. Mas também uma revista on-line, que na primeira edição, além de poemas, traz fotografias da artista visual Camila Hein.
À frente da revista estão Duda Keiber, Ediane Oliveira, Jairo Tx, Ju Blasina, Junelise Martino, Valder Valeirão, Vicente Botti e o próprio Moreira. O projeto ambicioso prevê ainda a edição e a distribuição de livros, no futuro. “Hoje temos os editais para financiamento, mas eles não são tudo. O Mandinga quer incentivar a publicação e ajudar os autores a buscar esses caminhos”, fala a poetisa Ediane Oliveira.
Com a experiência de duas publicações, a primeira pela editora Alcance, de Porto Alegre, e a segunda, um projeto independente com financiamento público, Moreira diz que o mais difícil é a distribuição. Para o autor, fazer tudo é um “processo bacana”, mas extremamente “desgastante”.
Nesse sentido a internet tem sido outra grande aliada dos poetas pelotenses. Através dos sites, blogs e redes sociais os escritores conhecem outros e trocam trabalhos e experiências. Livros de Moreira, por exemplo, foram para outros estados por causa desses novos amigos. “Pelo Brasil a gente vê um pessoal muito atuante”, diz Daniel Moreira.
Ediane Oliveira que também trabalha na produções dos eventos, além de escrever, diz que nos últimos anos viu o surgimento de alguns dos poetas da nova geração. “É ótimo ver a evolução, nós temos jovens poetas bons, que impressionam pela qualidade.”
Nesse sentido, Moreira chama a atenção de nomes de autores, a exemplo, de Rogério Nascente, Gabriel Borges da Silva, Marília Kosby, Alexandre Vergara, Duda Keiber, Márcio Ezequiel, Martim César, Ju Blasina, entre outros. Nem todos são nascidos em Pelotas, mas transitam pela região manifestando seu jeito lírico de olhar o mundo.
Tanto Moreira, quanto Ediane comentam o fato de os autores da Zona Sul terem por perto um dos nomes mais prestigiados da área na atualidade, Angélica Freitas, que nasceu e reside no município. “É maravilhoso termos aqui em Pelotas uma escritora premiada e que tem colaborado muito com esse processo”, fala Ediane.
Autora de Rilk shake (2007) e mais recentemente Um útero é do tamanho de um punho (2012), além de ter publicações em coletâneas e ser coautora da graphic novel Guadalupe (2012), em parceria com o quadrinista Odyr, Angélica é um grande incentivo aos novos. “Ela é a poeta-mor do momento”, fala Moreira.
Incentivo nas escolas E quando se fala em incentivo à literatura, Ediane e Moreira vão direto ao ponto: educação básica. “A criança do primeiro grau é a mais interessada em poesia que o adolescente”, fala Daniel Moreira. “Falta incentivo na educação a partir da literatura. A escola faz da literatura algo muito teórico e chato”, diz Ediane.
O contista e poeta Márcio Ezequiel, 41, porto-alegrense que reside em Pelotas desde 2009, é bem cético com relação à educação formal. O autor argumenta que as escolas precisam trabalhar mais a escrita criativa e outras formas de expressão. Para ele as instituições de ensino não formam leitores qualificados, muito menos escritores ou pessoas mais ligadas aos detalhes da vida. É preciso desenvolver um olhar além do senso comum, afirma.
Para Ezequiel, a internet e os blogs demonstram “uma energia enorme de escrita e expressão reprimida”. Segundo o autor, os novos precisam se dedicar ao aprendizado da escrita. “Para escrever bem tem que ler muito. Tem que conhecer os gêneros literários, até mesmo para superá-los com novos formatos”, fala.
Uma saída, seriam os governos e entidades civis promoverem concursos e oficinas literárias. “As recentes manifestações pelo país mostraram claramente que sem conhecimento não há rebeldia inteligente. Sem leitura, música, cinema e arte não há poesia. Não há lirismo que sobreviva”, diz.
De 200 alunos em 2009, Campus no município saltou para mil estudantes em
2013, matriculados em cinco cursos de graduação, quatro de especialização e um
de mestrado
Carlos Queiroz - DP
Por: Roberto
Witter
Cinco mil seiscentos
e vinte e seis metros quadrados de concreto movimentam o saber e a economia de Jaguarão.
Erguido no bairro Kennedy, o Campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
cresce em velocidade assombrosa.
Dos 200 alunos que tinha em 2009, pulou para
mil estudantes em 2012. Reflexo sentido na economia da cidade. Os forasteiros
que chegam alugam casas, comem em restaurantes e se divertem à noite. Mais
dinheiro no caixa dos comércios. Mais cultura nas ruas.
Os primeiros cursos
universitários chegaram à cidade em 2006. Juntas, as graduações de letras e
pedagogia abrigavam 100 estudantes. O Campus ficava sob comando da Universidade
Federal dePelotas (UFPel), assim como outros quatro campi, em Bagé,
Caçapava do Sul, Dom Pedrito e Santana do Livramento.
A reestruturação do
Ensino Superior no país foi responsável pela criação da Unipampa, em 2008. O
ano seguinte foi de reorganização. Nomeações de servidores e professores saíram
do papel e um projeto institucional criou metas para o crescimento da
universidade. A maior parte delas foi cumprida, garante o professor e doutor em
Educação Maurício Vieira, diretor do campus. “Em 2010 começamos a ampliar o
atendimento, ofertando os cursos de gestão do turismo e licenciatura em
história. Em 2012 criamos o bacharelado em política e produção cultural”,
conta.
Projetos ambiciosos
para o futuro
O futuro próximo
reserva projetos ambiciosos para a universidade. Uma cantina já está em
processo final de construção, e deve entrar em funcionamento ainda este ano.
Também em 2013, a ideia é iniciar a construção de um segundo prédio, com cerca
de 2 mil metros quadrados, e de uma sede para a biblioteca, que hoje possui 20
mil livros (o segundo maior acervo de todos os campi da Unipampa).
O curso de geografia
já está em fase de aprovação no Conselho Universitário da Unipampa, que é o
último estágio dentro da universidade. Se aprovada nos próximos meses, a
graduação poderá ser oferecida em 2014. Nas comissões internas, tramita ainda a
criação das graduações de licenciatura em computação, filosofia e
biblioteconomia. “Pela estrutura que temos hoje, poderíamos abrigar, pelo
menos, mais mil alunos”, afirma o diretor.
O campus de Jaguarão
foi também o primeiro a ter aprovado um curso na modalidade de ensino a
distância. Em, no máximo, 18 meses (o curso pode também estar apto a funcionar
dentro de seis meses), a graduação de Letras poderá ser ofertada. A partir de
então, Jaguarão gerenciaria a oferta de mais 50 vagas através do campus de
Livramento e outras 50 vagas pelo campus de Alegrete.
Impulso na cultura
Além de ofertar
Ensino Superior, a Unipampa atua diretamente em processos culturais e de
qualificação profissional no município. Segundo o diretor do campus, a
universidade auxiliou na criação do Plano Municipal de Educação. Projetos de
extensão e pesquisa também são direcionados para a comunidade, como a oferta de
cursos de qualificação para quem atua em restaurantes e hotéis.
A cidade vizinha de Arroio
Grande também se beneficia. No final de 2012, uma parceria com a
Secretaria Municipal de Educação garantiu a qualificação de 60 professores do
ensino básico do município na área de educação ambiental.
“Já se planeja levar
um curso de graduação para Arroio Grande. Conversamos com a antiga
administração e realizamos uma audiência pública. A ideia é saber que curso
eles gostariam de receber e a viabilidade para a Unipampa instalar na cidade”,
adianta o professor.
Preocupação com
patrimônio histórico modifica linhas de estudo
Professor de
história, Cláudio Martins (PT) honrou as origens. Nos últimos quatro anos do
primeiro mandato, passou a trabalhar a valorização do patrimônio histórico da
cidade. O trabalho da prefeitura refletiu-se em maior preocupação da universidade
com o assunto, garante o prefeito.
“Veio o curso de
história e algumas linhas de estudo no curso de produção cultural e turismo
também passaram a contemplar esta área”, conta Martins.
O Centro de
Interpretação do Pampa, espaço que irá revitalizar as ruínas da Enfermaria
Militar, já está sendo construído. O orçamento inicial prevê um investimento de
R$ 6 milhões na obra. A maior parte dos recursos vem do governo federal, mas a
prefeitura entra com uma contrapartida financeira.
“Assim que
inaugurado, o Centro será a maior ferramenta de educação patrimonial e da área
da museologia da América Latina”, garante o diretor da Unipampa. Segundo ele, a
universidade será responsável pela gestão do Centro.
O Centro será
dedicado à pesquisa e à experiência sensorial e estética sobre o bioma do
Pampa.
O Campus da Unipampa
em números
42.943,50 m de
terreno
5.626,53 m² de área
construída
6 laboratórios
74 professores
21 servidores
concursados
26 servidores
terceirizados
1.000 alunos
5 cursos de graduação
4 cursos de especialização
1 curso de mestrado
R$ 2 milhões é o
valor aproximado do orçamento anual
Chegada de alunos
movimenta economia
Os mil alunos, muitos
deles de fora da cidade, movimentam a economia do município e amenizam as
perdas sofridas pelos comerciantes desde a implantação dos free shops, na
cidade vizinha de Rio Branco.
“Se olhar pelo lado
material e financeiro houve, sem dúvida, uma explosão no setor imobiliário.
Aumentou a procura por casas e apartamentos e também subiu o preço dos
aluguéis”, explica o prefeito Cláudio Martins (PT).
Um hotel, a 250
metros da Unipampa está sendo erguido. O investimento é da iniciativa privada,
mas a prefeitura doou o terreno como forma de incentivo.
Embora não tenha
dados concretos, a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de
Jaguarão, Maria Emma Lippolis cita um incremento no setor de serviços,
principalmente no ramo hoteleiro.
“Até por necessidade,
o setor de hotéis e pousadas precisou incrementar os serviços. A gastronomia,
lojas de roupas e as festas também tiveram crescimento”, aponta a presidente.
Os ganhos são
ofuscados pelo prejuízo gerado pelos free shops, segundo a dirigente lojista.
“Dezenas de lojistas
fecharam as portas porque a concorrência com o comércio do Uruguai é desleal.
Teve gente que foi embora da cidade para buscar o sustento”, afirma Maria Emma.
A esperança é o
projeto de lei do deputado Marco Maia (PT - RS), que já foi sancionado pela
presidente Dilma Rousseff.
O texto final prevê
que o pagamento pelos produtos poderá ser feito com moeda nacional ou
estrangeira, como o dólar. Os estabelecimentos poderiam ser concedidos às
chamadas “cidades gêmeas”, como Jaguarão, Chuí, Aceguá e Santana
do Livramento.
A partir da
publicação da lei, a Receita Federal ficou responsável pela colocação do
projeto em prática. No entanto, os comerciantes reclamam de lentidão no processo
de regulamentação.
“A situação está nas
mãos da Receita, mas eles não sabem o que a gente está perdendo ao longo destes
últimos anos. A solução precisava ser mais rápida. Assim, muitos de nós
(comerciantes) poderíamos também migrar para o sistema de free shops”, afirma a
presidente da CDL.
Segundo o
superintendente adjunto da Receita Federal no Estado, Ademir Gomes de Oliveira,
a instalação dos free shops no lado brasileiro trata-se de uma operação
complexa. Uma comissão foi criada em Brasília para estudar o caso e ainda não
há previsão de resposta.
Prédio
símbolo da cidade passa por processo de restauração
Por: Luciara
Schneid
luciara@diariopopular.com.br
Com
seis meses de obras, as ruínas da antiga Enfermaria Militar, em
Jaguarão, já perderam o aspecto de abandono e começam a ganhar o
status de grande obra. A movimentação no Cerro da Pólvora, zona
mais alta da cidade da fronteira com o Uruguai é intensa, onde
trabalham 20 funcionários da Marsou Engenharia, empresa contratada
para execução do projeto do Centro de Interpretação do Pampa
(CIP), parceria entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e o
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A
expectativa é de que sejam contratados outros dez, para dar início
à intervenção na ruína.
De
acordo com a arquiteta da Marsou Engenharia, Simone Delanoy, estão
em andamento as escavações do auditório subterrâneo, 50% feitas
na rocha, e de movimento de terra para implantação da recepção da
ruína. Foram realizadas, até agora, a consolidação e a
estabilização da ruína, toda a limpeza inicial, que durou em torno
de uma semana, marcação da rampa de ligação e execução dos
pilares dos dois prédios que integram o projeto. Em paralelo, são
executadas as obras de infraestrutura urbana como as ligações de
água e luz.
A ruína também deve passar por limpeza externa,
mas de forma que não perca as características do tempo. Para a
consolidação da ruína, precisaram ser feitos embrechamentos de
pedra, seguindo as técnicas de restauro recomendadas pelo Iphan. O
prazo de execução da obra é de dois anos. Segundo a arquiteta,
esta obra tem um significado muito especial para os jaguarenses, por
se tratar de um prédio que é símbolo da cidade, além de inseri-la
nos novos tempos, pelo seu reconhecimento como patrimônio nacional e
pela consolidação de um espaço que irá unir a comunidade.
Desde o dia 18 deste mês
uma equipe de operários trabalha
em ritmo acelerado no prédio. Foto Carlos Queiroz
Por: Luciara
Schneid luciara@diariopopular.com.br
Em
um mês, as obras de recuperação do Theatro Esperança, localizado
no centro de Jaguarão, entram na fase de execução da obra
propriamente dita. Desde o dia 18 deste mês, equipe da Marsou
Engenharia Ltda, formada por dois arquitetos, um engenheiro e mais
oito operários, trabalha em ritmo acelerado no prédio, na
realização dos serviços iniciais de limpeza, proteção dos pisos,
assoalhos e elementos artísticos, essenciais para que o trabalho de
restauração possa ser efetivamente iniciado.
Na
quarta-feira (27), as arquitetas do Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ana Beltrame e da Marsou,
Simone Delanoy, discutiram a programação visual do tapume, que irá
isolar a calçada da frente do teatro, na avenida 27 de Janeiro,
durante os 18 meses de execução da obra. A proposta é mostrar
imagens e textos que contem a história do teatro à população e
aos visitantes. As obras integram a segunda e última etapa de
restauro da casa de espetáculos, para que ela possa ser devolvida
novamente à população jaguarense, pois está fechada desde
2010.
A arquiteta da Marsou explica que nesta segunda e
última etapa de obras, serão recuperados o palco, camarins,
plateia, balcão nobre, escadas, foyer, piso, forro, lustre,
urdimento, construção de banheiros, luminotécnica e sonorização.
O investimento é de R$ 3.913.753,54, recursos do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério
da Cultura, com contrapartida da prefeitura. Em breve, será feita a
troca do assoalho dos camarotes e, na parte de instalação cênica,
que fica acima do palco, uma escada de madeira será substituída por
estrutura metálica. O teatro também receberá instalações
elétrica e sanitária novas, diz. No foyer, atrás das
bilheterias, o espaço será destinado à instalação de duas
lojas.
Na primeira fase, concluída em 2010, com investimentos
do governo federal, foram recuperados o telhado original e a
cobertura do edifício como um todo, a pintura decorativa mural e as
galerias, estruturas que estavam em estado avançado de
comprometimento. O prédio é tombado pelo Estado desde 1990 e
integra o Conjunto Histórico e Paisagístico da cidade, tombado pela
União.
História
O Theatro Politheama Esperança foi
construído entre os anos de 1887 e 1897, sob o comando português
Martinho de Oliveira Braga. O edifício original possuía depósito
de carbureto, combustível de iluminação, e uma cocheira, situada
junto à frontaria dos fundos do prédio. A casa de espetáculos
movimenta a fronteira desde fins do século 19.
Os
cavalos sempre fizeram parte da vida do acadêmico de Jornalismo da
Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Bruno Schuch. Filho de
pecuarista, criado em Jaguarão, costumava conviver intensamente com
os animais. Essa importante relação ficou marcada, não só em sua
história, mas também em tatuagem de um cavalo no pulso
esquerdo. Desde março do ano passado as memórias de uma infância
campestre vêm ganhando vida através de pinturas em acrílico - arte
que o autor compartilha em exposição denominada Aloumiño, na Casa
de Cultura de Jaguarão, a partir desta segunda- feira, dia 25.
Os
dez quadros em exposição são suas primeiras aventuras na técnica
em acrílico, mas desde a pré-escola Bruno brinca de fazer arte.
Também já experimentou aquarela e outras técnicas, sempre como
hobby. Essa mostra representa sua iniciação no mundo das galerias
de arte. Todas as telas, no entanto, são de acervo e não estão à
venda. “Nunca vendi um quadro. Até então, sempre pintei pra mim”,
disse. Mas o artista se dispõe a trabalhar sob encomenda pelo
e-mail brunoschuch@gmail.com.
O
Teatro Politheama Esperança foi construído entre os anos
de 1887 e
1897. Foto Infocenter DP Paulo Rossi
A
prefeitura de Jaguarão realiza na sexta-feira (15) às
18h, solenidade para marcar o início das obras da segunda e última
etapa de restauro do Teatro Esperança. A cerimônia ocorre no
próprio teatro, na avenida 27 de Janeiro, 533. O cronograma do
trabalho que será executado pela empresa Marsou Engenharia prevê
prazo de 18 meses para conclusão.
Nesta etapa, estão
incluídas a recuperação do palco, camarins, plateia, balcão
nobre, escadas, foyer, piso, forro, lustre, urdimento, construção
de banheiros, luminotécnica e sonorização. O investimento é de R$
3.913.753,54, recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura, com
contrapartida da prefeitura.
Na primeira fase de restauração
do prédio, concluída em 2010, com investimentos do governo federal,
foram recuperados o telhado original e a cobertura do edifício como
um todo, a pintura decorativa do mural e as galerias, estruturas que
estavam em estado avançado de comprometimento. O prédio é tombado
pelo Estado desde 1990 e integra o Conjunto Histórico e Paisagístico
da cidade, tombado pela União.
O Teatro Politheama Esperança
foi construído entre os anos de 1887 e 1897, sob o comando português
Martinho de Oliveira Braga. O edifício original possuía depósito
de carbureto, combustível de iluminação, e uma cocheira, situada
junto à frontaria dos fundos do prédio. A casa de espetáculos
movimenta a fronteira desde fins do século 19.
De
acordo com a coordenadora de Patrimônio da Secretaria de Cultura do
município, Andrea Lima, a posição estratégica de Jaguarão
permitiu que a cidade tivesse grande efervescência no campo
cultural, contando com a passagem das companhias que se deslocavam
dos grandes centros do país em direção à Argentina e Uruguai e se
apresentavam na cidade e também ocorreu o caminho inverso, em que
grupos de artistas da região do Prata chegaram ao município em
busca de novos públicos, com espetáculos musicais, de dança e de
dramaturgia.
Poeta Jaguarense, Lau Siqueira, faz parte da Exposição "A Imagem da Palavra"
Na
presença do governador Tarso Genro e outras autoridades, foi
realizada, na noite de quarta-feira (30), a cerimônia oficial de
abertura da Semana da Cultura do Rio Grande do Sul no Uruguai, no
Palácio Santos de Montevidéu. Tarso, que retornava do encontro com
o presidente José Mojica, destacou a importância desta integração.
"É um orgulho muito grande para nós gaúchos e brasileiros
estarmos aqui nessa comemoração, de integração democrática,
política e cultural que marca um novo momento de intercâmbio nas
relações dos países", afirmou.
O
coordenador de Cultura do Ministério da Educação e Cultura do
Uruguai, Hugo Achugar, lembrou que esta semana é o retorno da Semana
da Cultura Uruguaia realizada em Porto Alegre, em 2011. "Os
encontros que estamos realizando resultam em frutos para acordos
econômicos, científicos e educativos. E também cultural, setor
importante para os laços que nos unem e que avançam para novos
intercâmbios”, disse Achugar.
Após
a cerimônia, o secretário da Cultura, Assis Brasil, acompanhou o
governador até o Espaço de Exposiciones Subte, onde está aberta a
mostra "A Imagem da Palavra". Com curadoria de Vera Pellin
(artistas visuais) e Laís Chaffe (poetas), 15 artistas visuais
contemporâneos criaram obras de arte a partir de textos de 15 poetas
gaúchos.
Programação
Nessa
quinta, às 19h, será realizado o lançamento do catálogo da
exposição com a presença dos artistas participantes. A programação
da semana inclui também a exibição da Mostra da Produção
Cinematográfica Gaúcha Contemporânea com a exibição de quatro
longas e quatro curtas, estes vencedores do prêmio Iecine, com uma
mesa de debates que ocorre nesta quinta às 18h, na sala
Pocitos.
Além
disso, haverá a apresentação do espetáculo teatral Tangos e
Tragédias na sala Nelly Goitiño (sábado, 2, às 21h); o teatro de
dança Terpsi será apresentado na Estación Góes (sábado, 2, às
12h); e o Teatro UTA no Parque Rodó (domingo, 3, às 12h).
Intervenções culturais são realizadas na Região Sul do Estado
Foto Carlos Walker - Especial DP
Nesse fim de semana, a Zona Sul vai ter a oportunidade de presenciar um ambicioso projeto artístico em fase de crescimento. O espetáculo Mob Art - Invasões culturais é a primeira realização do grupo Mob Art no sul do país, depois de dois eventos em São Paulo, e ocorre na sexta-feira (27) em Pelotas e no sábado em Jaguarão, com entrada franca.
Em Pelotas, as invasões serão no Instituto João Simões Lopes Neto: às 19h, o lançamento do oitavo livro do poeta e escritor gaúcho Antônio Carlos Marques, intitulado Jardim sem muros e mostra fotográfica do artista pelotense Alexandre Schlee Gomes; às 20h, show do músico paulista, criador do Mob Art, Carlos Walker, ao lado do pianista e compositor Carlos Rebouças.
O grupo foi criado justamente com o objetivo de unir expressões artísticas distintas, vindas de todo o país. A produtora Ana Carril, que, juntamente com Iná Eloísa Grabin e a Vertentes Filmes, traz o evento a Pelotas, afirma que, para participar, não é necessário nem ser artista. "O que define é o envolvimento com a cultura. Pode ser um apreciador, o importante é integrar esse desejo, é estar aberto para conhecer outras culturas."
Ela diz que o show vai viajar o Brasil e, em cada cidade, integrar artistas locais. O fotógrafo Gomes foi escolhido para representar Pelotas, com a mostra Cenas do cotidiano. Em Jaguarão, a mostra trará o pintor jaguarense Cláudio Viegas e o xilogravurista uruguaio Leandro Barrios.
Lendas do sul
Carlos Walker, músico que já trabalhou com Radamés Gnatalli, Egberto Gismonti e Hélio Delmiro, apresenta obras de Hermeto Pascoal, Lúcio Gregori, Tom Jobim, Piry Reis e outros, além de três canções do futuro disco Lendas do sul. As canções, baseadas em contos do escritor João Simões Lopes Neto e de outros escritores, são parcerias com Rebouças e o letrista Carlos di Jaguarão. As canções serão gravadas não apenas por Carlos, mas por artistas de várias partes do país.
Jaguarão diz que um dos objetivos do trabalho é levar as lendas do sul para cima. Foi esse projeto que integrou a Vertentes Filmes ao Mob Art: um roteiro baseado nas canções está sendo criado e elas vão se tornar videoclipes. A ideia do grupo é produzir, todos os anos, CDs, livros, vídeos, exposições e shows, unindo artistas novos e veteranos.
Serviço
O quê: Mob Art - Invasões culturais
Quando: sexta-feira (em Pelotas)
Onde: Instituto João Simões Lopes Neto, Dom Pedro II, 810
Quanto: entrada gratuita, com retirada de convite no próprio Instituto, das 14h30min às 18h
A
estação ferroviária de Pelotas é um universo fantástico na vida
de Duda. Foi neste cenário que levava e trazia pessoas de diferentes
partes do mundo que ele teve a sua escola. Criado naquele local onde
fazia bicos para ajudar a sua mãe, o menino aprendeu línguas e
grandes lições de vida. A história detalhada do jovem está
em Carne
viva,
nova produção do cartunista André Macedo que aos 19 anos de
carreira alça novo voo e se aventura por uma linha diferente em sua
trajetória: a graphic novel, também conhecida como novela gráfica.
Duda
é um menino pobre pelotense que passa a vida em busca de sua
identidade e do assassino de sua mãe. Atrás destas informações
ele conhece as diferentes faces do ser humano e começa a enxergar a
sociedade por trás da máscara utilizada para esconder os jogos de
poder e corrupção. De forma metafórica e através do enredo de
mais de sete personagens que têm suas histórias entrelaçadas, a
obra abordará assuntos delicados como a discriminação racial.
Qualquer
semelhança da “ficção” com a realidade não é mera
coincidência. Como já é de costume, André utilizará fatos reais
com os criados por sua imaginação. Pontos isolados da história de
Pelotas e do Grêmio Esportivo Brasil, clube de seu coração e onde
Duda inicia os seus trabalhos como vendedor de balas, constam na
publicação.
No
cenário deste enredo são desenhadas casas antigas da Princesa do
Sul. Não os casarios e patrimônios históricos, mas sim alguns
casebres que fazem parte do contexto em que vive o personagem
principal. André Macedo fotografou algumas casas antigas do bairro
Simões Lopes para poder retratar fielmente a realidade daquele
bairro.
A
obra
Carne
viva será
divulgado apenas na rede e em capítulos que devem ser
disponibilizados para download a cada 15 dias no site
do artista.
A obra passa por adaptação para o português de Portugal e para o
inglês. A ideia é produzir a história de acordo com o feedback
dado por seu público.