quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Importação de talentos




“Jaguarão deixou de ser uma exportadora para ser uma importadora de talentos”. Esta afirmativa  foi pronunciada por Naldyn Mesquita,  estudante universitário oriundo do Rio de Janeiro, num debate promovido para discutir o papel da juventude em nossa cidade, referindo-se ao fluxo de estudantes e docentes para cá.

Uma das responsáveis  por modificar a fisionomia deste município com a sua presença, a Universidade também realiza o sonho de muitos jaguarenses que não tinham possibilidades de fazer um Curso Superior. Quando caminhamos pela periferia, podemos perceber várias faixas comemorativas, pais de famílias modestas festejando a entrada de seus filhos na Unipampa. Mesmo sabendo dos avanços que ainda necessitam ser implementados (formação, melhoria do salário dos educadores) não há como negar a importância da expansão do ensino público em nível superior e técnico nos últimos 10 anos. Na nossa cidade, pode-se dizer que a importação de talentos também ocorre intramuros, isto é, gente com potencial que é incluído num espaço de oportunidades profissionais e de ascensão social por meio da educação pública e gratuita.

E as importações não param por aí. Em conversa com o engenheiro Dionísio Colvara soubemos que sua construtora, que efetua a pavimentação de várias ruas da cidade, teve de contratar no Capão do Leão, especialista em calçamento com bloquetes, o qual está ensinando a vários trabalhadores daqui a sua técnica. A mesma empresa também importou de Santa Catarina uma fábrica de bloquetes e meios-fios de cimento que está a funcionar em dupla jornada, empregando 11 funcionários.  Nas obras do Centro de Interpretação do Pampa e do Teatro Esperança há vagas para carpinteiros e pedreiros oferecendo mais postos de trabalho. A demanda por profissionais da área da construção tem sido tanta que a importação de mão de obra deverá ser inevitável..

Nas artes, a importação de talentos também contribui para a evolução. A presença entre nós do renomado Maestro uruguaio Juan Schellemberg na formação da Orquestra Municipal e  renovação do Coral Jorge Pagliani, o trabalho da professora Tamara Chiz com o Grupo de Dança dos alunos da APAE e na música popular, Hélio Ramirez, que poucos sabem ter nascido no Rio de Janeiro e que já está preparando seu novo CD a ser lançado na IV Feira Binacional do Livro. O Hélio é um verdadeiro cronista da cidade e um estudioso da sua história. A canção Os Fortins de Jaguarão deverá ser o Carro-chefe do novo trabalho.

Gostaríamos, se houvesse espaço, de citar todas as pessoas, e são tantas, talentos importados que abraçaram Jaguarão e estão contribuindo com seu progresso. Fica a nossa satisfação em comprovar que esta cidade, em sua nova fase, transforma-se em polo de desenvolvimento para a região.  

Jorge Passos

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Meridional do dia 09/08/2012


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