quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Por que não se "tomba" o Mackinley Rosa?

Palco de grandes espetáculos, o Mackinley Rosa
em imagem do curta Gaúchos Canarinhos, com Aldyr Schlee e José Orcelli

Acerca da matéria que postei em meu blog “Duas equipes jaguarenses no Gauchão?”, em 04/10/12, escreve-me um leitor anônimo, a quem solicito para que se identifique: “Eu não entendo como Jaguarão com um estádio como o Mackinley Rosa e com um passado bonito no futebol amador da região e no estado deixou o futebol de campo morrer por completo. Hoje não se tem um campeonato varzeano forte com equipes tradicionais como Andradas, Florestal, Pindorama, Imperial, Mauá, Vila Kennedy e outros. Entendo que a fase áurea do futebol de salão do Navegantes contribuiu para o fim de participações estaduais do Cruzeiro, mas o fundo do poço que chegamos ao nosso futebol nunca pensei que aconteceria.”

Inclusive já ouvi falar que a Associação Cruzeiro Jaguarense estaria loteando o seu estádio a fim de pagar dívidas acumuladas, mesmo depois de se desfazer da sua área de piscinas, lá pelos lados da “rua do cordão”. Custo a acreditar que ali perto da antiga Estação da Viação Férrea, permanece abandonado um patrimônio que foi erguido com o grande esforço dos associados do Esporte Clube Cruzeiro do Sul que o nosso Clube Jaguarense recebeu de mão beijada através de uma fusão infeliz. Perguntar não ofende: porque não se recupera aquela área como Estádio Municipal?

Meu amigo José Nunes Orcelli tem desfraldado a ideia de formar uma seleção de futebol com jogadores que se tem destacado no campeonato varzeano local para disputar um dos certames estaduais da Federação Gaúcha, o que me faz lembrar o Jaguarão Esporte Clube, quando entrava em campo nas partidas do Estadual de Amadores com aquelas camisas brancas com letras vermelhas estampadas no peito – JAGUARÃO – que muito me enchia de orgulho, apesar de cruzeirista declarado. A nossa comunidade precisa se unir em torno dessa bandeira, deixando de lado antigas preferências clubísticas para retomar o seu lugar no cenário esportivo do Estado. Creio que basta vontade política para instalação de uma sede desportiva já existente - Estádio Municipal Mackinley Rosa.

Fui testemunha de como foi construído o antigo Estádio Minervina Corrêa, tijolo a tijolo, com o labor voluntário de atletas e torcedores que se juntavam nos fins de tarde e à noite, sacrificando preciosas horas de descanso para cercarem a sua área de competições. E o que hoje resta da praça de desportes do Jaguarão Esporte Clube, o primeiro a ter seu patrimônio dilapidado com esses malfadados “casamentos”? Um esplêndido pavilhão social dando vistas para um minguado campo de “futebol sete” destinado a práticas recreativas, afora a ampliação da sede das piscinas da Sociedade Harmonia Jaguarão. Mais trágico ainda o desfecho da união entre Clube Caixeiral e Navegantes Futebol Clube por demais sabido de qualquer jaguarense que se preze.

Sou do tempo em que os atletas do meu saudoso Esporte Clube Cruzeiro do Sul tinha o seu campo no terreno em que atualmente se encontra estabelecido o Asilo de Meninas “Felisbina Leivas” e sua sede social, também utilizada como residência para os jogadores mais necessitados, funcionava no prédio que era da extinta Sociedade Italiana. Naqueles idos, nem Jaguarão nem Navegantes possuíam os seus campos próprios e mandavam seus jogos ali no “arrabalde” do IPA, onde hoje se situa a Praça Comendador Azevedo. Pois daquela sede na Rua 15 de Novembro, próxima dali, os atletas marchavam uniformizados em direção à antiga praça de desportes do Harmonia. Tradições como essa precisam ser preservadas na memória esportiva da cidade, tão evidente no símbolo que hoje representa o velho Estádio Mackinley Rosa como baluarte da alma cruzeirista.

José Alberto de Souza

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 17/10/2012




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