quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Cultura como espelho do que somos

Pintura: Alunos CAPS Jaguarão - A arte em qualquer lugar


O que podem ter em comum Jaguarão, uma ilha perdida no meio da Oceania, uma cabana rústica isolada nos campos do sul da França e uma pequena vila nos arredores de París? Como é possível vincularmos Paul Gauguin, Paul Cézanne e Vincent van Gogh à nossa realidade?

Em interessante artigo intitulado O Centro e a Periferia da Arte”, Vladimir Safatle, Professor de Filosofia da USP, nos fala da importância “acidental” dessas geografias antes citadas e dos seus respectivos personagens, provando que a criação artística e as Musas, nem sempre moram nas grandes metrópoles, onde, supostamente, deveriam estar aquarteladas, como peças de um museu.

Essa análise do Professor Vladimir Safatle é muito oportuna e interessante. Oportuna, porque na nossa cidade e região está havendo um olhar mais atento sobre a Cultura em si, que tende a valorizar e projetar além do nosso município e fronteira o que aqui se tem, se faz, e o que se está gestando: Fundação Carlos Barbosa; Museus Histórico e Geográfico; construção do Memorial do Pampa; projeto do Parque Farroupilha; digitalização do acervo histórico e jornalístico da cidade; restauração do Teatro Esperança, o tombamento de Jaguarão, pelo IPHAN, como patrimônio arquitetônico e urbano brasileiro, etc.

Interessante, porque dessacraliza o centro, sempre considerado criador e modelador, formador de opiniões e gostos, e de uma estética a ser seguida ou rejeitada, cabendo à periferia somente o papel de consumir, assimilar, aceitar passivamente, ou não, o que possa haver, ser feito e dito, no terreno da Cultura, a partir dessa visão etnocentrista e monopolizadora, desempenhada pelas, e desde as grandes metrópoles.

Em Jaguarão há muito e bom trabalho a ser feito; trabalho esse que já começou e é fruto de inúmeros atores, tais como a nova gestão municipal e suas parcerias várias, com os governos Estadual e Federal, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas também com a iniciativa privada (Free Shops; Parque Eólico Minuano; construção do Hotel Porteiras do Sul, categoria 5 estrelas) e o invalorável aporte e aquilatamento na esfera cultural, profissional e social, oferecidos pela Unipampa-Jaguarão.

Em breve teremos uma primeira turma de Tecnólogos em Turismo, além de outras turmas, que já se formaram, ou estão se formando, nas áreas da Pedagogia, História e Letras, que darão uma maior qualidade ao município, cada um se desempenhando na sua específica área profissional, mas podendo interagir com os colegas de outras esferas.

Este ano começou o Bacharelado em Produção e Política Cultural, que aspira formar os primeiros profissionais nesse ramo tão prometedor da produção, gestão, promoção e atuação, na abrangente e multifacética área da Cultura.
Assim, há aqui uma “periferia” onde também se faz e se pensa a partir do que temos, do que queremos e do que podemos. 

Dario Garcia
Acadêmico de Produção e Política Cultural
Unipampa-Jaguarão.

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 14/11/2012


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