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sábado, 6 de dezembro de 2014

Os Anos de Chumbo em Pedro e os Lobos


 Vai chegando ao final mais uma Feira Binacional do Livro em Jaguarão. Aqui vai uma dica literária da Confraria. 

Conheça os Anos de Chumbo em todos os seus detalhes e sempre narrados pela ótica da guerrilha no livro Pedro e os Lobos de João Roberto Laque.

"Esta é uma biografia que eu queria ter escrito"
 Fernando  Morais (Olga, Chateau, o rei do Brasil) 

Você sabia que existiu um tresloucado movimento guerrilheiro chamado Guerrilha de Três Passos e que a Guerrilha de Caparaó foi um retumbante fracasso da esquerda armada em Minas?

Que muitas das ações armadas foram verdadeiras cenas de comédia, cheias de desencontros e trapalhadas? Ou que um dos maiores mistérios deste período é o desaparecimento do ex-sargento do Exército e líder da VPR Onofre Pinto?

Pelo menos, você sabe quem foi Pedro Lobo de Oliveira? Então, leia Pedro e os Lobos.

No livro estão, a renúncia de Jânio, a posse de Jango, o golpe de 1964 e a resistência armada, com destaque para a origem das organizações clandestinas e um completo relato de seus atentados a bomba, assaltos a banco e sequestros de diplomatas estrangeiros.

Pelas 640 paginas de Pedro e os Lobos vão esmiuçados ainda os bastidores do poder, a edição do AI-5, a tortura imposta pela repressão política, a luta pela anistia, as greves do ABC e a redemocratização do Brasil.

De quebra, ao longo do livro está a vida louca de Pedro Lobo de Oliveira, um ex-sargento obstinado que largou tudo para mergulhar de cabeça no caldeirão fumegante da guerrilha.

Companheiro do lendário capitão Carlos Lamarca, Pedro assalta bancos, invade hospitais militares, explode quartéis e fuzila, para comemorar o aniversário da morte de Che Guevara, um capitão norte-americano que havia se tornado herói de guerra no Vietnã.

A obra gerou um documentário que está sendo filmado e foi considerada um dos cinco melhores lançamentos na categoria livro-reportagem pelo júri do Prêmio Jabuti 2011.

João R. Laque, Fernando Morais e Pedro Lobo - 3ª Bienal do Livro de S. J. dos Campos

Se você não encontrar Pedro e os Lobos nas Bancas da Feira do Livro peça seu exemplar diretamente pelo e-mail  laque@ibest.com.br 

Aproveite a superpromoção com 40% de desconto e dedicatória do autor
 

Neste Natal, faça um elogio a quem você gosta:
DÊ UM LIVRO DE PRESENTE
 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Dica da Confraria: Contos Completos de Sérgio Faraco


Com a alma no Sul - uma leitura dos "Contos Completos" de Ségio Faraco


Ler os Contos completos de Sérgio Faraco sempre carrega minha alma para o passado e para o Sul. Só falta um bom inverno para completar o astral da leitura, que, nesses casos, vai melhor acompanhada de um vinho e uma lareira, ou um fogo de chão, simplesmente.

Na primeira parte da obra, Faraco reúne os contos de teor regionalista, ambientados na região da fronteira, local onde se encontram os gaúchos do Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, terra de muitas lutas, pobreza e solidão. Terra em que, para sobreviver sendo pobre, é necessário ter “algo más que leche em los cojones”. Sim, porque, nestes contos, os principais personagens são os deserdados, os peões, as putas, os borrachos (bêbados) de bolicho e os chibeiros,  contrabandistas que lutam no seu dia a dia contra a miséria, a polícia de fronteira e as águas e agruras do rio Uruguai e seu sertão. Mas não pense, caro leitor, que são contos “bairristas”, extremamente descritivos e repletos de expressões regionais. Neles não há o gosto do exótico,  a preocupação primeira em fixar a imagem da região e do tipo local segundo o mito do centauro dos pampas. Diversamente, ele dialoga com o regionalismo e o mito de forma renovada, não conservadora, recusando a ideologia do gauchismo. Ideologia que Tau Golin desnuda em livro homônimo,[i] para desgosto dos tradicionalistas de CTG.

O realismo ocorre também no plano estilístico, pois os textos são curtos, flagrantes do cotidiano reveladores da alma, com uma linguagem simples, direta (mas sem preocupações vanguardistas), em que os “regionalismos” linguísticos entram na medida exata, sem exageros e exotismos. Tanto é assim, que o estilo e a temática principal se mantêm nas outras duas partes da obra: na segunda, cujos personagens são crianças e/ou adolescentes, e na terceira, que nos remete ao meio urbano. Nestas duas partes, Faraco transita pela literatura infanto-juvenil e pelo conto urbano, cuja ambientação recorrentemente - especialmete na terceira parte - nos remete a locais característicos de Porto Alegre (como o Café Paris, o Majestic Hotel, os bares do centro da cidade, o Parque da Redenção) sem cair nos estereótipos de cada gênero, ou seja, sem idealizar a infância em narrativas de teor didático, utilitaristas conforme o “bom gosto burguês”[ii], e nem cair no bairrismo, no retrato da cor local porto-alegrense. Conforme as palavras de Miguel Sanches Neto, que recusa, com boa razão, a expressão “regionalismo” para os contos:

Os contos da segunda parte remetem também a um tempo mítico, já não mais ligado a um espaço de exceção. São histórias que focalizam a infância, seus dramas e valores em saudável desarmonia com o modus vivendi dos adultos. Não é uma forma de concepção idealizada dessa fase da vida, pois a sensação de perda de um país íntimo marca essas histórias em que a sexualidade aparece naturalmente. A solidão também se manifesta nesse segmento do livro [...]. São imagens em que a infância, desenrolando-se em contato muitas vezes brutal com a realidade, é vista como o momento de aprender as leis da sobrevivência.
Nessas duas etapas temos um espaço e um tempo deslocados. A terceira coloca em cena o homem na cidade grande, tentando ludibriar a solidão. O contista se dedica a essa fauna que, perdida no abismo entre o passado e o presente, procura recompensar o sentimento de incompletude através da amizade e principalmente da relação sexual. Desconheço, na literatura brasileira contemporânea, escritor que trate de forma tão contundente e, ao mesmo tempo, tão natural o encontro erótico. Para Faraco o amor é muito mais do que encontro de dois corpos em busca do prazer, mas a maneira de se solidarizar com quem também sofre as asperezas da vida. [retirado da orelha do livro]

E falando no encontro erótico, que perpassa as três partes da obra e é tematizado sem os traumas do pecado que assombra a nossa cultura judaico-cristã (o que é uma grande virtude, principalmente nos contos da segunda parte, visto serem narrativas mais voltadas para um público infanto-juvenil), gostaria de destacar a obra-prima que é “Dançar tango em Porto Alegre”. [iii] Nele, um encontro amoroso, que ocorre no compartimento de um trem, entre um homem já maduro e precocemente envelhecido pelas agruras da vida (e que até já havia esquecido de seu sexo) e uma mulher desesperada, cujo marido se encontrava há muito tempo no leito, esperando a morte, é descrito com direito a uma cena de sexo anal... Mas em nenhum momento a narrativa cai na literatura barata e muito menos beira a pornografia, revelando-se como um momento de extrema dor e beleza em que o sexo surge com toda a sua força de Eros em oposição a Tanatos, em muito lembrando, como observa Laury Maciel em seu artigo “Um escritor em busca do reverso das coisas”[iv], o belíssimo filme “Houve uma vez um verão, dirigido por Roberto Mulligan, em que a mulher de um oficial que está na guerra, ao receber a notícia da morte do marido, entrega-se a um adolescente, iniciando-o sexualmente”. Em suma, grande literatura, digna do humanismo dos grandes escritores russos, tais como Tolstoi, Dostoiewski e Gogol, que muito certamente estão entre os favoritos de Sergio Faraco[v].
Marciano Lopes

[i] Tau Golin. A ideologia do gauchismo. 3 ed. Porto Alegre: Tchê, 1983.
[ii] Para saber mais sobre a representação da infância nos contos de Sergio Faraco, veja o artigo “O conto contemporâneo gaúcho: em tempos de desconstrução do conceito de infância”, de Flávia Brochetto Ramos e Marli Cristina Tasca, publicado na Revista Especulo.
[iii] Este conto foi publicado inicialmente em A dama do Bar Nevada e depois no livro homônimo, coletânea de contos que recebeu, da Academia Brasileira de Letras, o prêmio de melhor obra de ficção em 1998.
[iv] Artigo publicado no fascículo “Sergio Faraco”, no 11, da coleção Autores Gaúchos, Porto Alegre, Instituto Estadual do Livro, 1986, p. 14-17.
[v] Para saber mais sobre Sergio Faraco e sua obra, vá ao seguinte endereço: http://pessoal.portoweb.com.br/sergiofaraco/


Em Jaguarão, este livro você encontra  na Livraria Contexto, Av. Odilo Gonçalves, 547C 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Umberto Eco: "O Cânone Ocidental"de Harold Bloom



“O Cânone Ocidental” de Harold Bloom define o cânone literário como “a escolha de livros em nossas instituições de ensino”, e sugere que a verdadeira questão que ele suscita é: “o que o indivíduo que ainda deseja ler deveria tentar ler, a essa altura da História?” E ele observa que, na melhor das hipóteses, dentro do tempo de uma vida é possível ler somente uma pequena fração do grande número de escritores que viveram e trabalharam na Europa e nas Américas, sem contar aqueles de outras partes do mundo. Mesmo nos atendo somente à tradição ocidental, quais são os livros que as pessoas deveriam ler? Não há dúvidas de que a sociedade e a cultura ocidentais foram influenciadas por Shakespeare, pela “Divina Comédia” de Dante, e – voltando atrás no tempo – por Homero, Virgílio e Sófocles. Mas será que somos influenciados por eles porque os lemos de fato em primeira mão?

Isso lembra o argumento de Pierre Bayard, em “Como Falar Sobre Livros que Você Não Leu”, de que não é essencial ler de fato um livro de capa a capa para entender sua importância. Por exemplo, é nítido que a Bíblia teve uma profunda influência tanto sobre a cultura judaica como sobre a cristã no Ocidente, e mesmo sobre a cultura de não-crentes – mas isso não significa que todos aqueles que foram influenciados por ela a tenham lido do começo ao fim. O mesmo pode se dizer sobre os escritos de Shakespeare ou James Joyce. É necessário ter lido o Livro dos Reis ou o Livro dos Números para ser uma pessoa culta ou um bom cristão? É necessário ter lido Eclesiastes, ou basta simplesmente saber em segunda mão que ele condena a “vaidade das vaidades”?

Sendo assim, a questão do cânone não é homóloga à do currículo escolar, que representa o conjunto de obras que um estudante deverá ter lido ao fim de seus estudos. Hoje o problema é mais complicado do que nunca e, durante uma recente conferência literária internacional em Mônaco, houve um debate sobre o lugar do cânone na era da globalização. Se roupas de marca “europeias” são produzidas na China, se usamos computadores e carros japoneses, se até em Nápoles comem hambúrgueres em vez de pizza – resumindo, se o mundo encolheu a dimensões provincianas, com estudantes imigrantes em todo o mundo pedindo para aprender sobre suas próprias tradições – então como será o novo cânone?

Em certas universidades americanas, a resposta veio na forma de um movimento que, mais do que “politicamente correto”, é politicamente estúpido. Como temos muitos estudantes negros, algumas pessoas sugeriram ensinar-lhes menos Shakespeare e mais literatura africana. Uma ótima piada à custa de todos aqueles jovens destinados a saírem pelo mundo sem entender referências literárias universais como o solilóquio do “ser ou não ser” de Hamlet – e, portanto, condenados a permanecerem à margem da cultura dominante. Se tanto, o cânone existente deveria ser expandido, e não substituído. Como foi sugerido recentemente na Itália, a respeito de aulas semanais de religião nas escolas, os estudantes deveriam aprender algo sobre o Corão e os ensinamentos do Budismo, bem como sobre os Evangelhos. Assim como não seria mau se, além de suas aulas sobre a civilização grega antiga, os estudantes aprendessem algo sobre as grandes tradições literárias árabe, indiana e japonesa.

Não faz muito tempo, fui a Paris para participar de uma conferência entre intelectuais europeus e chineses. Foi humilhante ver como nossos colegas chineses sabiam tudo sobre Immanuel Kant e Marcel Proust, sugerindo paralelos (que poderiam estar certos ou errados) entre Lao Tsé e Friedrich Nietzsche – enquanto a maioria dos europeus entre nós mal conseguia ir além de Confúcio, e muitas vezes com base somente em análises em segunda mão.

Hoje, no entanto, esse ideal ecumênico esbarra em certas dificuldades. Você pode ensinar a jovens ocidentais a “Ilíada” porque eles ouviram algo sobre Heitor e Agamêmon, e porque seus rudimentos de cultura incluem expressões como “o julgamento de Páris” e “calcanhar de Aquiles” (embora em um recente exame de admissão de uma universidade italiana um candidato tenha pensado que o termo “calcanhar de Aquiles” se referia a uma doença, como cotovelo de tenista).  Ainda assim, como conseguir fazer com que esses estudantes se interessem pelo poema épico sânscrito “O Mahabharata”, ou pelos poemas dos “Rubaiyat de Omar Khayyam” de forma que essas obras permaneçam em suas memórias? Será que realmente podemos adaptar o sistema educacional a um mundo globalizado quando a vasta maioria dos ocidentais cultos ignora totalmente que, para os georgianos, um dos maiores poemas na história literária é “O Cavaleiro na Pele de Pantera” de Shota Rustaveli? Quando acadêmicos não conseguem nem concordar se, na versão georgiana original, o cavaleiro do poema está na verdade usando uma pele de pantera e não de tigre ou de leopardo? Chegaremos sequer a esse ponto, ou continuaremos simplesmente a perguntar: “Shota o quê?”

Umberto Eco
Fonte: The New York Times
http://www.nytimes.com/ 


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Feira do Livro - Dicas da Confra

Obra do Nobel de Literatura, escritor peruano Mário Vargas Lhosa.
Romance sobre a Guerra de Canudos. Banca do
Sebo Icária - 15 reais 

Antonio Callado. A madona de Cedro - Inspirou a minisérie com o mesmo nome.
Coleção da Editora Altaya com vários autores.
Sebo Icária. Só 5 reais cada volume.

sábado, 13 de agosto de 2011

Domingo é dia de Dulces Caseros



Todos os domingos a partir das dez horas da manhã, "a menos que llueva torrencialmente" , doña Aladila Barrios está na Praça central da Cuchilha em Rio Branco, vendendo seus doces caseiros. 

Sobre o estranho nome, diz ter sido um capricho do Pai que na adolescência era apaixonado por uma menina chamada assim. Até hoje, continuou, não acredita como sua mãe permitiu que o Pai concretizasse   tão estranho desejo.  Contou-me ainda que trabalha durante a semana numa escola e nos sábados passa o dia elaborando suas guloseimas. 

Não resisti e comprei na primeira vez o raro doce de Laranja. Conseguiu ser tão saboroso como os da minha mãe e tias. Doceiras de mão cheia. Depois experimentei o de figo. Delícia pura. Próximo na lista é o de batata doce (boniato). Os doces são vendidos a 7 reais ou setenta pesos e levando-se o vidro vazio ela dá um descontinho.   Ah, e tem também doce de leite, de abóbora (zapallo), ambrosia, picles. 

um bom passeio para as manhãs de domingo.

domingo, 31 de julho de 2011

A Murga Agarrate Catalina em Rio Branco


Prosseguindo sua exitosa Gira 2011, a Murga Agarrate Catalina,  campeã do carnaval Montevideano deste ano,  estará se apresentando neste domingo, dia 07 de Agosto no Club Unión em Rio Branco.
O show celebra os Dez anos do Grupo, incluindo um repasso de toda a sua carreira, os melhores momentos e muito mais.


Ingressos no Mercado CASUPA e no Club Unión a $ 100,00 ou R$ 10,00

Espetáculo Imperdível!


sexta-feira, 8 de julho de 2011

El País Cultural: A resenha de Soledad Platero sobre livro de Vlady Kociancich


Tradición y talento individual


Soledad Platero

AUNQUE HACER una afirmación semejante es siempre un peligro, no está de más correr ciertos riesgos para postular que hay cierta literatura que sólo puede ser argentina. Y que esa cualidad única, peculiarísima, no tiene que ver con escenarios o temas, sino que habita en una forma precisa, distintiva, de trabajar en el lenguaje.
Cuadro de una muerte dudosa es una novela argentina, y no porque irrumpan en ella Buenos Aires, o el olor del café, o la enormidad vacía del campo (el campo, en la Argentina, no es como el campo uruguayo: es el desierto metafísico que Borges encontró en Sarmiento, en Mansilla o en Hernández), o los apellidos ingleses pegados a nombres criollos. Es argentina en su escritura. Es inconfundiblemente argentina en la forma de tratar con las palabras, de pegar adjetivos a sustantivos, de establecer el ritmo de la prosa: "Sé que ese hombre lleva años escapando de la justicia con sobornos, pagando caro un nombre falso. Sé que amparado en la desidia de funcionarios tan huidizos como él, igualmente insaciables de plata mal habida, pudo vivir casi al nivel de la autoridad que había tenido antes de cometer la estupidez de un asesinato".
En la escritura de Vlady Kociancich (Buenos Aires, 1941) está Borges (y en Borges hay mucha gente), pero también es fuerte el parentesco con Piglia, con Andrés Rivera, con Abelardo Castillo, con Sylvia Iparraguirre, con Eduardo Belgrano Rawson. Está en ciertos giros, en cierta forma de tratar la frase; de inyectarle, podría decirse, una prosodia literaria.

UNA ESTAFA LEGAL. En Cuadro de una muerte… hay varias muertes, aunque sólo una sea la del título. Pero ya se sabe que una muerte violenta procede siempre de alguna muerte anterior, y no es raro que se estire en muertes posteriores. Una mujer aparece colgada de un árbol, en medio de un campo pelado, en una zona baja y pegajosa conocida como "la laguna de Bungen", en las cercanías de un pueblo chato y diminuto en la provincia de Buenos Aires.
La muerta era huésped de un hotel que vende servicios de salud y bienestar a personas que llegan estresadas, obesas y aburridas, y que están dispuestas a someterse a una dieta de hambre y a un régimen militar de actividades saludables o seudocreativas. Una estafa como hay tantas, pensada para ofrecer lo mínimo haciéndolo pasar por mucho: nada que hacer, casi nada que comer, un horario estricto para todo, y la posibilidad de abandonarse a la humillación y el hastío a cambio de olvidar las responsabilidades y las exigencias de la vida en el mundo real.
Lo curioso de este hotel, sin embargo, no es su carácter de estafa perfectamente legal, sino el hecho de funcionar en un delirante castillo levantado por un alemán excéntrico en medio de un pueblo de un puñado de casas bajas. Un capricho que sería inverosímil si no fuera porque los castillos con torreones, almenas y fosos fueron una práctica relativamente frecuente en tiempos de vacas gordas en estas pampas.  


domingo, 26 de junho de 2011

Tristán Narvaja: O Bestiário Do Outro Amon


Pero sabed que la poesía se encuentra en todas
 las partes donde no está la sonrisa estupidamente
 burlona del hombre con cara de pato. (Lautréamont)


Todos os domingos, la Calle Tristán Narvaja em Montevideu, abriga uma feira de pulgas famosa onde se pode encontrar de tudo. Pregos, botões, qualquer tipo de antiguidade, livros raros, o que se puder imaginar.
Mas não era domingo, era uma sexta feira e, mate na mão, saímos a buscar alguns títulos nas livrarias e sebos que estão dispostas quase lado a lado,  nesta  rua tradicional da capital uruguaia. A faina era localizar a Invenção de Morel do Bioy Casares e uma edição dos Cantos del Maldoror  de Isadore Ducasse, o Conde de Lautréamont. Súbito,  nos deparamos não apenas com os Cantos de Isadore, mas com os próprios seres fantásticos de Lautréamont.

El guardián de la casa ladra sordamente, porque le parece que una legión
 de seres desconocidos  se filtra por los poros de las paredes
y traen el terror a la cabecera del sueño. (Los Cantos de Maldoror) 

Tais esculturas estão expostas nas Babilonia Livros da Tristán Narvaja. São obras do artista   Jorge Añon  livremente inspiradas nos seres fantásticos descritos pelo Conde. Este poeta uruguaio nasceu em Montevideo em 1846 e envolto em mistério e sombras radicou-se em Paris onde se auto concedeu o título de Conde e sua alcunha  Lautréamont  referir-se-ia a um outro Amon, (Le autre Amon).  Isadore Ducasse teve uma breve existência, vindo a falecer em 1870 com 24 anos.   



Ademais do que buscávamos, rebuscamo-nos com um Alejo Carpentier, "Reinos deste mundo", um Vargas Llosa, "Tia Julia y el escribidor", "Apocalipticos e Integrados" de Umberto Eco e uma Antologia de la Literatura Fantástica organizada por Silvina Ocampo, Borges e Bioy Casares. 
Finda a jornada, regressamos para o encontro com nossas musas que também se fartaram nas Lojas da 18 de Julio,  abrigando-se contra a brisa fria que vem do rio da Prata. 



Jorge Passos e Sérgio Christino 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Hamilton de Holanda é o solista do Concerto de hoje no Teatro Nacional

Hamilton de Holanda ensaia com a Orquestra Sinfônica de Brasília


Concerto da OSTNCS (19/04/2011)


Dia 19 de abril, às 20h, Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Regência: Maestro Cláudio Cohen. Solista: Hamilton de Holanda. 

Entrada Gratuita. Sujeita à lotação da sala. 
 
Programa

Suíte Brasília – Renato Vasconcelos

O Vôo da Juriti – Paulo Tovar e Aldo Justo

Suíte Retratos – Radamés Gnatalli

Sinfonia Monumental – Hamilton de Holanda


A Confraria vai estar lá.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Para colecionadores





Na nossa pedalada de sábado encontramos este Dodge à venda no Ferro Velho do Nadir, ao lado da Ponte Mauá.
A Confraria pensa que o veículo seria ideal para seus deslocamentos poéticos. 
Todavia, carece de fundos suficientes.
Esperança no lançamento do seu próximo e primeiro livro, promessa de sucesso editorial.

sábado, 2 de abril de 2011

Dica de cinema - Los Viajes del Viento

Belíssimo filme de uma Colômbia desconhecida. Mescla de Don Quijote, Viaje hacia el mar, Cien años de soledad.  
Para quem tem o MAX, na Sky canal 78, está programado para a sessão das dez da noite de hoje, sábado. Imperdível!

Teatro em Montevideo - Yamandú Barrios em "Barranca abajo"

Yamandú Barrios Brochado

Espectáculos

"Barranca abajo" ubicada en los años 50


Original versión de Ernesto Clavijo en Teatro Victoria

El Teatro Victoria está presentando una original versión de la mayor tragedia rural uruguaya. Barranca abajo, de Florencio Sánchez, llegó a la sala de Río Negro 1479 en una curiosa versión del director Ernesto Clavijo, quien ubica las acciones en la década de 1950-60.
Con el apoyo del programa Montevideo Ciudad Teatral (de la Intendencia de Montevideo), la puesta cuenta con un elenco integrado por Pedro Piedrahita, Marta Vidal, Camila Sanson, Virginia Méndez, Laura Barboza, Elena Zuasti, Yamandú Barrios Brochard, Federico Torrado, Enrique Micol y Mario Rodríguez.
El drama del gaucho desposeído, que pierde de un solo golpe sus bienes y sus afectos, ha sido considerado, ya por la crítica del Novecientos, como la mejor obra de Sánchez, y puede verse también como la gran tragedia americana, formulando la aniquilación de un hombre honrado por causa de una sociedad egoísta. Con escenografía de Adán Torres y Carlos Pirelli, la versión busca actualizar un planteo que más de un siglo después sigue vigente.

Las funciones son viernes y sábados a las 21 horas y domingos a las 19 horas. Entradas: $ 180.

El País Digital: http://www.elpais.com.uy

Yamandú é um jovem ator, filho do nosso estimado amigo e artista Leandro Barrios e da Secretária de Cultura de Rio Branco Mireya Brochado. Para quem vai a Montevideo, boa programação assistir esta montagem da peça mais famosa de Florencio Sanchez.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Portais disponibilizam materiais educativos

O portal Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br) cadastra cerca de 3 mil obras de arte e literatura por mês. O site, de responsabilidade do Ministério da Educação (MEC), disponibiliza 187.533 arquivos para download gratuito de obras literárias, artísticas e científicas que já são de domínio público. 


O Portal do Professor (portaldoprofessor.mec.gov.br), que também pode ser buscado pela página do MEC, registra números iguais de acesso. As aulas prontas, de variados assuntos, postadas por professores, são os materiais mais acessados. 


Fonte: http://www.correiodopovo.com.br

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nietzsche no século XXI


Morto há mais de um século, continua Nietzsche sendo ainda motivo de escândalo, no sentido de que ele não nos deixa em paz e, por outro lado, nem nós deixamos sua memória sossegada. Parece que não nos contentamos com o que ele escreveu e exigimos que nos diga mais, que se explique e nos explique. Sentimos que ele nos abriu uma porta, mas não permitiu que entrássemos. Tendo sido ao mesmo tempo filósofo e poeta, diante de sua obra somos levados a querer mais, e só ele nos poderia saciar esta sede.

Quando em Turim, para reuniões da Fundação Granziani Cavour, percorri mais de uma vez o trecho de rua em que em 1888, aos 44 anos de sua idade, Nietzsche ficou de repente fora de si e do mundo. Como um raio, a loucura o atingiu. Viveria ainda perto de 11 anos, como um objeto, sob os cuidados da irmã e da mãe, para morrer em 1900.

Naquele ano de 1888, viveria em Turim, onde terminaria alguns de seus livros mais significativos - "Ecce Homo", "O anticristo", "Nietzsche contra Wagner", "Vontade de potência" - e exigira tanto de si mesmo (devia saber que estava nos últimos arrancos de sua inteligência) que rompeu a base corporal que o ligava ao mundo exterior.

Repito: virou um objeto. A simples constatação dessa queda, num até então dominador permanente do pensamento e da palavra, revela o tênue limite que nos separa da sombra.

O livro de José Osvaldo de Meira Penna"Nietzsche e a loucura", lançado este mês, vem colocar a bibliografia nietzschiana brasileira em nível superlativo. É trabalho abrangente, analítico, preciso nas suas interpretações, corajoso em suas conclusões.

Profeta e poeta, previu Nietzsche muitas das tendências do que seria mais tarde o século XX. As palavras de Zaratrusta, que ele intuiu e escreveu, a figura do Super-Homem (que a literatura infantil e o cinema explorariam ad-nauseam) estiveram presentes em todos os últimos 100 anos de nossa história e ingressaram com passos cada vez mais firmes no século XXI.

Nietzsche surge também como dos mais importantes criadores da moderna psicologia analítica. E foi em Turim, no livro "Ecce Homo", que deixou escrito: "Haverá guerras como nunca dantes houve na terra". E mais: "Apenas após minha morte haverá grandes acontecimentos políticos sobre a terra".

A oposição ética entre a crueldade e a compaixão perpassa pela obra de Nietzsche que, envolto pela tendência seletiva que Darwin impusera ao pensamento do século XIX, privilegiava o forte, o são, o inteligente - e podia, nesse caminho, aceitar, inclusive, a crueldade. E eu me pergunto se ele não terá sido vítima de si mesmo quando, em face de uma crueldade inesperada, reagiu com tal violência que atingiu a si mesmo, no seu cérebro, no seu íntimo, no seu equilíbrio diante do mundo.

Pois o que aconteceu, isto é, do que ouvi em Turim, em conversas com professores locais e jornalistas da cidade que haviam pesquisado sobre o que ocorrera, bem como de acordo com a descrição feita por Meira Penna para o livro de agora, foi simplesmente isto. Depois de noites em que muito pouco dormia (tinha de consumir uma quantidade excessiva de hidrato de cloro para cair no sono), saiu a passear pela Via Carlo Alberto quando parou diante de uma cena de crueldade.

Um homem qualquer batia num animal - cavalo, jumento ou mula - batia-lhe no pescoço, na cabeça, nos olhos, no focinho, batia e voltava a bater. Nos primeiros minutos, Niezstche olhou espantado para o que via, como se tentasse atinar com o que na realidade acontecia. De repente, faz gestos de quem ficou dominado por violenta emoção, dá um grito e se atira sobre o animal, chorando sem parar, agarra-lhe o pescoço de modo frenético, chora, chora, chora, quer afastá-lo do agressor, parece alucinado, diz frases sem o menor sentido, tem uma síncope e cai na calçada.

Levado para uma clínica na Basiléia, o diagnóstico foi paralisia progressiva. O fim, porém, não estava perto. Sem escrever, de certo ponto em diante sem falar, sem demonstrar reconhecimento do que acontecia ao redor, morreria longos 11 anos depois.

O livro de José Osvaldo de Meira Penna chega no momento em que estamos, no Brasil, discutindo, aceitando, negando, querendo que se apresentem, os diversos caminhos e as inúmeras proposições que se apresentam para compor nosso futuro. Conhecer o pensamento de Nietzsche é importante nesse emaranhado de idéias que nos assaltam. Poucos escritores pagaram com a vida para pensar o que pensaram, para viver o que pensaram.

Mesmo que não seja para aceitá-lo integralmente, há de discuti-lo e, acima de tudo, sentir a força de seu pensamento e a beleza literária de seus escritos. "Assim falou Zaratrusta" está inserido entre as obras mais belamente fortes dos textos daquele tempo que, na realidade, não se diferencia muito do de hoje. Sendo um escritor de agora, deste começo de um milênio, pode fazer-nos compreender o que está acontecendo neste momento ao nosso redor.

Di-lo Meira Penna ao terminar sua introdução ao livro: "Poucos estão prontos a admiti-lo, mas Nietzsche é o filósofo do século XXI. É o poeta, o analista, o psicólogo, é mesmo - com Kafka, Orwell ou Huxley - o ficcionista da nova era do mundo global".

"Nietzsche e a loucura", de José Osvaldo de Meira Penna, é um lançamento da Editora UniverCidade através de seu Instituto de Filosofia e Estudos Interdisciplinares. "Orelha" de José Arthur Rios.



Resenha publicada na coluna de Antonio Olinto na Tribuna da Imprensa em abril de 2004.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Jacques Sternberg - El sobreviviente

Reproduzimos artigo de Mariana Enriquez, da excelente coluna suplementos, do portal e diario Página 12 da Argentina.



Especialista en microrrelatos, Jacques Sternberg tuvo una azarosa vida marcada por la Segunda Guerra Mundial y sus secuelas, y también formó parte de la nouvelle vague. Sus Cuentos glaciales rondan la muerte y, sobre todo, el absurdo de tener que sobrevivir.

Por Mariana Enriquez

Muy poco leído en castellano, Jacques Sternberg fue uno de los escritores más prolíficos en francés, con dieciséis colecciones de cuentos, dieciséis novelas, tres piezas teatrales, dos libros de ensayos, incontables artículos periodísticos y varios guiones de cine y televisión, entre ellos el de Je T’aime, Je T’aime (1968), para el maestro de la nouvelle vague Alain Resnais. Era, también, un hombre muy inquieto y muy extraño, producto de sus terribles primeros años: hijo de un rico comerciante de diamantes judío de origen polaco, Jacques Sternberg nació en 1923 en Anvers, Bélgica. Al comienzo de la Segunda Guerra Mundial, la familia se refugió en Cannes, pero cuando los alemanes ocuparon Francia huyeron hacia España, donde los Sternberg fueron detenidos en Barcelona y deportados nuevamente a Francia. Allí Jacques y su padre permanecieron en un campo de prisioneros, hasta que el padre fue deportado a Polonia. Murió en el viaje. En 1944, durante la liberación, Sternberg se encontraba en París. El, que había sido el hijo rebelde de una familia muy rica, era pobrísimo. Empezó a trabajar como cronista en diarios belgas, más tarde como embalador, fue publicista, detective, dactilógrafo, vendedor. Hacia 1948 comenzó su carrera como escritor con el género por el que sería más recordado: la micro-ficción. Durante los siguientes veinte años formaría parte del grupo Pánico junto a Alejandro Jodorowski, se dedicó a navegar en su velero –aunque siempre se negó a correr regatas– y sería editor de la revista Planète, además de otros varios emprendimientos editoriales siempre relacionados con el fantástico y la ciencia ficción, aunque él renegara de estas clasificaciones.

Cuentos glaciales (Contés Glacés, 1974) son 270 cuentos, recopilados por el propio Sternberg, escritos entre 1948 y la fecha de edición. En el prólogo, el autor escribe, con su característico gusto por la provocación: “Escribir una novela de más de 250 páginas está al alcance de cualquier escritor más o menos dotado. Puede hacerse en 25 días a razón de 10 páginas diarias... Escribir 270 cuentos, en su mayoría breves, es otra historia. No se trata de un asunto de ritmo, sino de inspiración: hacen falta 270 ideas. Y eso es mucho”.


Varios de estos “cuentos glaciales” giran, justamente, alrededor de una idea ingeniosa, en la mayoría de los casos muy inquietante. Casi siempre, los microrrelatos pueden considerarse fantásticos o estar dentro de la ciencia ficción (especialmente en los apartados “Los otros” y “Los otros lugares”), pero en todos los casos le pertenecen al fantástico post Kafka, que no usa ni monstruos ni maquinarias perversas ni laboratorios para expresar lo irracional de la existencia humana. Kafka es una influencia; también cierto humor surrealista. Y en cada texto queda clara la desconfianza de Sternberg, su misantropía, su humor negro. A cada relato clásico, como “El reflejo” (sobre el tema del doble), se le van sumando cuentos donde lo disruptivo, en ocasiones lo maligno, es la ciudad, la burocracia, los pasillos, los túneles, las cañerías, las películas, las fotografías: el horror de la deshumanización pero escrito sin solemnidad, con una sonrisa perversa. Salvo, quizá, en los numerosos relatos sobre o situados en trenes (“La estación”, “El último vagón”): no es aventurado afirmar que en estos relatos Sternberg está escribiendo sobre el Holocausto, ya que luego lo hace explícitamente en cuentos como “La cura” (un campo de concentración en un castillo) o el clarísimo “El tren”.


Hay dos relatos en Cuentos glaciales que escapan a la microficción y no sólo por su extensión. Se trata de “El resto es silencio” y “Marea baja”, dos cuentos de casi veinte páginas protagonizados por mujeres extrañas que visitan al protagonista y lo hechizan con mórbido encanto. Las visitantes encarnan a la Muerte, y no parece casual que Sternberg haya incluido en la colección a estos disonantes cuentos extensos, descriptivos, muy poco ingeniosos, desesperantes y de oscura fluidez. La muerte es el gran tema que sobrevuela todos los Cuentos glaciales, incluso los más juguetones, incluso los que se parecen demasiado a ejercicios o borradores, sea en la muerte de una civilización (“La memoria”) o la de un niño (“El juego”). Sternberg se consideraba un cronista del terror en sus formas contemporáneas pero, al menos en Cuentos glaciales, su gran miedo es el fin. O el absurdo de tener que vivir y morir.

Fonte: http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/libros/10-4140-2011-01-24.html

"Pouco lido em castelhano" nos diz a autora do artigo e "quase nada em portugues" ousamos afirmar. De Jacques Sternberg, encontramos indicios de sua obra apenas numa coletanea de contos de ficção cientifica editada em Portugal, Coimbra 1959.

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