Mostrando postagens com marcador Museu do Pampa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Museu do Pampa. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

V Conferencia Internacional do Bioma Pampa - A importância da Cultura na Região que sediará o Centro de Interpretação do Pampa

Lincando com o discurso de Marco Maia, presidente da Câmara, que cobrou ações humanas para potencializar a região, Fátima Bento Ribeiro (Unipampa) disse que o Fronteira Culturales é um exemplo de ação humana, além da própria universidade com novos cursos e o Centro Cultural.


O painel II - Cultura no Bioma Pampa - movimentou a manhã de debates na V Conferência Internacional do Bioma Pampa trazendo aspectos e práticas culturais da região.
A primeira parte foi apresentada pela professora Maria de Fátima Bento Ribeiro, diretora da Unipampa Unidade Jaguarão, que trouxe o relato sobre o episódio da Carta Fronteiras Culturales - um documento coletivo dos povos da Fronteira - que pensa os pontos que mostram a importância de uma legislação própria para a região e propõe o Seminário Brasil Uruguai de Cultura que trata das políticas de cultura para a Faixa. "É um documento desconhecido, mas é um marco, porque traz uma proposta clara para a cultura. Traz ainda a proposta de uma cartografia de Fronteira, com a participação do IFsul, UfPel, entre outras instituições", contou.
Outra ação da Unipampa foi a aprovação do curso de Produção e Políticas Culturais, inédito no Rio Grande do Sul, que trata da economia da cultura e políticas para a área. "É uma ação humana para pensar a cultura na região, junto com a Pós-graduação voltada para a cultura e cidades de Froteira", informou.
A professora citou a frase de um pensandor sobre as regiões fronteiriças. "Existe uma magia para quem vive na Fronteira e a magia é a convivência com o outro", relatou.  "A grande lição do mundo é saber conviver com o outro e por isso a Fronteira tem essa característica, potencializada pela cultura pampeana, que não é brasileira, ela é brasileira, uruguaia e argentina", disse.
Com uma palestra rica em informações culturais, Fátima contou ainda sobre a criação de um Centro Cultural chamado Centro de Interpretação do Pampa, localizado nas ruínas de uma ex-enfermaria Militar tombada em Jaguarão, com espaço para artistas, para a paleontologia, para arquitetura, colocando em relevo a mestiçagem da Fronteira e os costumes.
"O Centro terá uma tecnologia em que a pessoa terá junto com as imagens sensação de frio, calor, vento, com sensações diversas. Haverá na historiagrafia uma sessão de genética dos povos da região, com sua ancestralidade bem trabalhada", disse.
"O gaúcho do pampa tem uma forte ancestralidade africana no lado materno e no paterno, espanhóis e portugueses. Esse dado é rico também porque o Centro Cultural terá um espaço dedicado à genética", ressaltou.
Lincando com o discurso de Marco Maia, presidente da Câmara, que cobrou ações humanas para potencializar a região, Fátima Bento Ribeiro disse que o Fronteira Culturales é um exemplo de ação humana, além da própria universidade com novos cursos e o Centro Cultural.
Alan Melo trouxe para o painel um vídeo da maquete do projeto, destacando a importância de patrimonizar espaços históricos para sua utilização cultural.
O espaço terá concha acústica e espaço para exposições numa área de mais de duas hectares, além de sede de aulas, administrado pela Unipampa Jaguarão.
"Convém dizer que o Museu do Pampa nasce em Livramento, chegando em Jaguarão após o desentendimento de Livramento com o Iphan. Jaguarão entendeu que o Pampa merece esse olhar apurado sobre sua natureza. É uma interpretação sobre a diversidade deste ecossistema feita por um equipamento cultural multiuso", explicou Melo.
O projeto foi viabilizado pela Unipampa, Prefeitura de Jaguarão e Iphan.
O segundo painelista foi o secretário de Cultural de Bagé, Sapiram Brito, que iniciou sua fala abordando a origem do gaúcho para chegar ao Bioma Pampa. "O Bioma Pampa é um ecossistema com a variedade de mais de 2000 espécies de plantas únicas, com gramíneas e leguminosas diferenciadas. Mas a gente acha que é a mesma grama", introduziu. O gado e a produção pecuária, afirmou o secretário, também é outro ponto ligado ao Pampa. "O gado veio para o RS procurando o seu destino, um ambiente propício para  sua natureza. Este gado, no início, era caçado", narrou o secretário da Cultura de Bagé.
O RS passou por desatenções sérias de Portugal e pelo Império brasileiro pela distância, formando-se então uma cultura peculiar, misto de isolamento e necessidade de firmação de identidade coletiva. "Nosso RS é uma imensa província mineral. Em nosso Estado, tem todos os minérios, até xisto betuminoso em São Gabriel. Só que nosso solo é raso, mas esta natureza gerou nosso tipo de cultura agropecuária", disse.
"Temos clima definido, com chuvas um tanto escassas, uma imensa bacia hidrográfica, solo propício à produção de gramíneas e leguminosas, uma insolação rara. A partir dessa realidade, aliada à nossa genética, se formou um tipo que é diferente, que não é melhor ou pior: é o gaúcho", destacou Sapiram Brito.
Segundo o secretário, há um complexo de inferioridade no Pampa, talvez pela distância, talvez pelo isolamento, mas que marca profundamente o desenvolvimento da região. Ele destacou a necessidade de se orgulhar com humildade das riquezas da região. "Fornecemos neste eixo de Fronteira uma referência cultural seguida por todo o RS", indicou.
Portanto, no entender do secretário, há potencialidades mal utilizadas na região, que acabam afastando talentos dos municípios fronteiriços. Ele chamou a atenção para a economia da cultura. "É possível ganhar dinheiro com a cultura, tem que ter persistência. Temos que nos orgulhar do que temos e como isso pode nos levar para um futuro melhor", concluiu Sapiram Brito.
Compôs a mesa ainda o presidente do Instituto Girassol, Marcelo Furtado. Ele destacou a grande diversidade da região para o turismo e o desafio, na cultura, de aproximá-la da população, que não tem acesso ao teatro, cinema, futebol, enfim, que precisa ser inserida culturalmente.
A mediação foi de Carmem Regina Silveira Nogueira, professora da Ufpel.

Texto: Josemari Quevedo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Reitoria da Unipampa: Edital de Licitação do Centro de Interpretação do Pampa

Imagens do futuro Museu do pampa


CAROS MEMBROS DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA EM JAGUARÃO  

Culminando mais uma etapa do trabalho que visa a edificação das instalações próprias do Centro de Interpretação do Pampa, órgão complementar instituído em nossa Universidade, a Reitoria informa que foi publicado no Diário Oficial da União, na data de 12/09/2011, o edital de Concorrência nº 16/2011 para a contratação de empresa especializada para a execução da obra civil.

É oportuno registrar o entusiasmo de toda a nossa comunidade universitária com este projeto e lembrar que a semente fundamental advém de proposição da Prefeitura Municipal de Jaguarão e do IPHAN (Presidência e Superintendência RS), que recebeu sólido apoio do Ministério da Educação. Também a expectativa que o projeto desperta no povo jaguarense e em todos os que deste tomam conhecimento. Há de ser um recurso valioso para o desenvolvimento cultural e turístico da região do Pampa, como uma vitrine especial para a produção intelectual (científica, artística e tecnológica) da UNIPAMPA e instituições com as quais mantenha cooperação, nas mais variadas áreas do conhecimento

Aproveito a ocasião para cumprimentar a Pró-Reitoria de Obras e Manutenção, a Pró-Reitoria de Administração, a Comissão Permanente de Licitação e a Consultoria Jurídica da UNIPAMPA, que se dedicaram intensamente ao extraordinário processo. E faço votos de que em breve possamos formalizar a contratação desta obra, contando com o zelo direto da comunidade acadêmica e da população de Jaguarão. Para tal, será importante ampla divulgação do Edital 16/2011, em particular a possíveis ofertantes dos serviços de execução da obra: www.unipampa.edu.br/licitacoes .

Maria Beatriz Luce
Reitora Universidade Federal do Pampa

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Investimento em Cultura é desenvolvimento




Prefeito comemora mais de sete milhões de reais pra a área da cultura em Jaguarão


A viagem do Prefeito Cláudio Martins à Brasília marcou um importante momento de garantia de investimentos em diversas áreas, especialmente na cultura. Foram anunciados esta semana, mais de sete milhões de reais para a conclusão da segunda etapa do restauro do Teatro Esperança e para início das obras do Centro de Interpretação do Pampa.

Articular a liberação destas verbas tem sido uma das prioridades do Prefeito. “Lutamos muito para reconhecer o potencial histórico, turístico e cultural de nossa cidade. Tenho certeza de que esses recursos potencializarão o desenvolvimento e novos investimentos em Jaguarão, pois nos tornamos uma das principais referências culturais e arquitetônicas do Brasil”, afirma Cláudio Martins.

O município de Jaguarão tem chamado a atenção pela qualidade e aprofundamento dos projetos que tem apresentado na área da cultura. Exemplo deste reconhecimento, foi o convite feito ao Prefeito Cláudio, pelo Ministério do Turismo, para palestrar em Belém do Pará, sobre políticas públicas para a cultura.

Fonte : http://www.jaguarao.rs.gov.br/

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Imagens do futuro Centro de Interpretação do Pampa

Assim será o nosso Museu do Pampa!

Área interna - centro de exposição
auditório 


Imagens www.brasilarquitetura.com

Centro de Interpretação do Pampa: MPOG doa imóvel à Unipampa no Rio Grande do Sul

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) por meio da Superintendência do Patrimônio da União no Rio Grande do Sul (SPU/RS), firmou termo de doação de imóvel com a Universidade Federal do Pampa (Unipampa).

O imóvel constituído por 6.903,18m² ocupado pelas ruínas da antiga Enfermaria Militar no município de Jaguarão terá como finalidade a instalação do Centro de Interpretação do Pampa. 
Trata-se de um projeto de criação de uma espaço contemporâneo dedicado à pesquisa acadêmico-científica e à experiência sensorial e estética sobre o bioma do Pampa, sua história e sua gente, a fronteira e suas lutas, a natureza e a cultura.
O imóvel é tombado pelo Patrimônio Histórico e, segundo a reitora da Unipampa, Maria Beatriz Luce, "trata-se de projeto de futuro para a educação e o fomento de produção científica, artística e tecnológica,  com a colaboração de vários atores". 
A reitora aponta, em especial, a participação da SPU/RS, pelo empenho na doação do imóvel, sem o qual não seria possível a execução do projeto.

  Tânia Moretti  
SPU/RS  - 15/04/2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Marcelo Ferraz - O novo Museu Brasileiro

Reproduzimos entrevista de Marcelo Ferraz, responsável pelo projeto do Centro de Interpretação do Pampa, o Museu do Pampa, ao Site da AECweb. 



"O que une esses projetos é a nossa linguagem arquitetônica sempre racionalista, econômica, sintética - sem excesso de material ou detalhes, limpa, com muita linha reta - dentro da visão de que a arquitetura carrega em si um conceito de economia".  

Diferente dos museus tradicionais que reúnem objetos e riquezas datadas, para contar ao visitante parte da uma história, os contemporâneos – campo de intenso trabalho do escritório Brasil Arquitetura, de Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci – são dinâmicos ao tratar de temas muitas vezes abstratos, outras não. “Os novos museus assumem o papel de contar histórias entrecortadas, entrelaçadas, mas não pretendem ser abrangentes”, diz Ferraz. Polos culturais de forte atração de público utilizam linguagens que falam mais de perto às pessoas, como a do cinema, da música e a tecnologia multimídia. Nesta entrevista ao AECweb, o arquiteto dá detalhes de cada um dos seis projetos de museus, assinados pelo escritório, em fase de construção ou de licitação de obras.
Redação AECweb

AECweb – Quais são os seis projetos?
Ferraz - Estamos fazendo, neste momento, seis museus entre os que estão com obras já licitadas e os que acabamos de entregar. São eles: Museu do Pampa (RS); Museu do Trabalho e do Trabalhador (SP); Museu Nacional da Cana de Açúcar (SP); Museu Cais do Sertão – Gonzaga (PE); Museu do Vinho (RS); e Centro de Referência e Memória de Igatu.
               Museu Cais do Sertão – Gonzaga (PE).


AECweb – Como tudo isso começou?
Ferraz - Esse processo começou com o projeto do Museu Rodin Bahia, em Salvador, corresponde do Museu Rodin, de Paris, projeto de grande sucesso. Veio, em seguida, o Museu do Pão, construído em Ilópolis, cidadezinha na serra gaúcha. Esse projeto foi muito premiado nacional e internacionalmente, inclusive com o premio Rino Levi, a homenagem máxima do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil -, e publicado em mais de 15 revistas no exterior. Fomos, então convidados para fazer o Museu do Pampa, em Jaguarão, na fronteira com o Uruguai, com 2,5 mil m². As obras estão sendo iniciadas com verba do Ministério da Cultura e Universidade do Pampa, através do Ministério da Educação.

AECweb – Do que trata o museu?

Ferraz - Começa que essa é uma cidade linda, que está sendo tombada pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - com 800 imóveis classificados. Diferente dos museus tradicionais, a idéia é que seja um centro de interpretação do pampa, ou seja, é o pampa concentrado, do bioma à história, suas guerras e lutas de fronteira, passando pela visão antropológica da formação do gaúcho – música, literatura, dança. Apesar de menor em dimensões, ele segue o conceito do Museu da Língua Portuguesa, inclusive seu conteúdo está sendo preparado pelos mesmos profissionais que fizeram o do museu paulistano.

AECweb – O Museu do Trabalho veio depois?

Ferraz - Por encomenda do presidente Lula, fizemos o projeto do Museu do Trabalho e do Trabalhador, a ser construído no terreno do antigo mercado municipal, no centro de São Bernardo do Campo, ao lado da prefeitura. Importante: as obras, num total de 6 mil m², estão sendo licitadas neste momento e serão pagas através de convênio entre a prefeitura da cidade e o Ministério da Cultura. Nesse museu, vamos tratar do trabalho do homem numa dimensão ampla, com foco na região do ABC. Ele poderia estar em qualquer lugar do mundo, mas está em São Bernardo – cidade ícone do trabalho. Porém, não será o memorial do metalúrgico.

               Museu do Trabalho e do Trabalhador - (SP)


AECweb – O presidente Lula fez outra encomenda...
Ferraz - Sim, o presidente Lula nos pediu o projeto para o Museu Luiz Gonzaga, no marco zero de Recife, onde nasceu a cidade, com 7,5 mil m². A verba é do Ministério da Cultura e do governo de Pernambuco – o presidente saiu, mas tem dinheiro para tocar a obra. Em 13 de dezembro de 2012 é o centenário de Gonzaga, portanto, será fundamental inaugurar o museu em sua homenagem. A reforma em curso naquela região da cidade levará o porto para fora dali e os antigos armazéns serão requalificados – transformados em shopping centers e edifícios públicos. Em nossas mãos, o projeto transcendeu a proposta original de um memorial a Luiz Gonzaga, passando a ser o museu do sertão, por isso o nome ‘Cais do Sertão – Gonzaga’. É o sertão que chegou na beira da água. O conteúdo, ciceroneado por Luiz Gonzaga, é uma imersão no universo do sertão: a seca, a natureza, a tradição e a cultura, o imaginário do homem da caatinga. O visitante sai dessa imersão para entrar em contato com a discografia e o acervo do músico.

AECweb – O projeto do Museu do Vinho é ousado do ponto de vista construtivo?

Ferraz - O Museu do Vinho, em Bento Gonçalves, inclui a construção da fábrica de vinhos da Casa Valduga enterrada, em solo de rocha (basalto). Vamos cavar os dois subsolos e usar essas pedras na construção do museu, que ‘abraçam’ dois pavimentos sobre pilotis – área envidraçada, de onde se vê os parreirais. Na parte superior, uma caixa cega de concreto avermelhado é o ambiente mais introspectivo do museu, que receberá tecnologia de ponta para expor o conteúdo multimídia, que vai permitir ao visitante sentir o sabor e o cheiro do vinho. O museu será totalmente integrado à fábrica, tanto que o visitante poderá passear pelo subsolo para conhecer como é feita a fabricação do vinho.

               Museu do Vinho (RS).

AECweb – Cana de açúcar e diamante são os temas dos outros dois museus?
Ferraz - Sim. No caso do Museu Nacional da Cana de Açúcar, em Sertãozinho, ainda em fase de captação de recursos pela fundação que o criou, a proposta é ocupar um engenho abandonado do século 19, belíssimo. Já o Centro de Referência e Memória de Igatu, distrito do município de Andaraí, no sertão da Bahia, perto da Chapada Diamantina, o museu será erguido numa região belíssima, com cerca de 500 m², em meio a uma área abandonada de garimpo de diamantes. Ali vai ser contada essa que é uma história muito bonita, mas que entrou em decadência nos anos 40. O lugar, de uma paisagem incrível, é uma APA – Área de Proteção Ambiental. Sua história forte deixou marcas, basta dizer que ali viveram até 9 mil habitantes e hoje restam somente 380.

AECweb - Tem um fio que liga esses museus?

Ferraz - O fio é a nossa abordagem, a nossa maneira de fazer arquitetura. É também a nossa forma de olhar para cada lugar, fazendo com que o lugar se revele. No museu Luiz Gonzaga, por exemplo, tem um galpão antigo de 2 mil m² e uma construção nova de 5 mil m². Esse prédio novo é todo revestido com cobogó de concreto, em dimensões gigantescas, que obedece ao desenho que criamos, reproduzindo a galhada da caatinga. Remete ao homem que corre a cavalo na caatinga, vendo tudo filtrado pelos galhos secos. O cobogó vai ser todo branco, lembrando uma renda, e tem a função objetiva na arquitetura de filtro de luz. Já no Museu do Pampa, onde estamos usando um edifício de mais de cem anos, que foi a enfermaria da Guerra do Paraguai, a linguagem é outra, porque o clima é frio. É mais introspectiva, tem o lugar da fogueira, é fechado com vidros. Assim, cada projeto tem uma linguagem própria que fala do lugar através dos materiais. O que une esses projetos é a nossa linguagem arquitetônica sempre racionalista, econômica, sintética – sem excesso de material ou detalhes, limpa, com muita linha reta – dentro da visão de que a arquitetura carrega em si um conceito de economia.

AECweb - O que os projetos incorporam de tecnologias sustentáveis?

Ferraz - A sustentabilidade é própria da boa arquitetura, mas que agora vira lei. A casa do meu pai, que projetei há 33 anos, já fiz com água na cobertura: é um técnica conhecida, ou seja, três horas depois da laje concretada, sem qualquer impermeabilização, se enche com água que fecha todos os capilares. O concreto é curado com a própria água. Depois, é só colocar os peixes e uma bóia para controlar o nível d’água. Fiz o mesmo na minha casa e em nenhuma delas apareceu qualquer vazamento. Esse processo resulta num ótimo conforto térmico, assim como os terraços-jardins na cobertura.

AECweb - Tem algum sistema construtivo da sua preferência?

Ferraz -Trabalhamos muito com concreto, mas usamos também estruturas metálicas e alvenaria estrutural. O problema é que o Brasil tem farta produção de minério de ferro, mas não há um parque industrial que ofereça para a construção civil uma ampla gama de peças metálicas como ocorre na Inglaterra, em que se escolhe pelo catálogo. Projetamos a estação rodoviária de Santo André e sua estrutura metálica exigiu que desenhássemos cada peça. É uma pena porque essa solução passa a ser mais cara do que o sistema em concreto. O concreto é ótimo para se trabalhar, é maleável, plástico.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Correio do Povo - Jaguarão: Resgate na antiga Enfermaria

Reproduzimos matéria do Correio do Povo, Editoria Cidades, edição impressa do dia 28/01/2011.

  Foto Fernanda Cassel
                                          Trabalhos nas ruínas do prédio de 1883, realizados por arqueólogos, devem se estender até 4 de fevereiro<br /><b>Crédito: </b> Fernanda Cassel / Divulgação / CP 
         Trabalhos nas ruínas do prédio de 1883,
         realizados por arqueólogos,
       devem se estender até 4 de fevereiro


Azulejos, uma lixeira hospitalar e outros elementos arquitetônicos foram encontrados nas ruínas da Enfermaria Militar de Jaguarão, construída em 1883. As peças e estruturas da edificação resultam da limpeza e escavação do material arqueológico na área da antiga enfermaria. O trabalho foi iniciado no dia 4 de janeiro pelo Instituto de Memória e Patrimônio de Pelotas, por meio dos arqueólogos Fábio Cerqueira, Luciana Peixoto e equipe. A profundidade da escavação é de 80 centímetros. A iniciativa visa encontrar vestígios que ajudem no resgate da história do prédio e da cidade, que faz fronteira com o Uruguai. A conclusão da operação está prevista para 4 de fevereiro.

Outra atividade em andamento, que faz parte dessa investigação, é a realização de entrevistas. Até agora foram ouvidas 15 pessoas que contribuíram no esclarecimento da memória da Enfermaria. Algumas conversas são informais, de pedestres que transitam no local e acabam revelando dados interessantes, e outras são feitas por meio de agendamento. De acordo com o arqueólogo Cerqueira, os entrevistados conheceram ou vivenciaram as várias fases da edificação, antes e após sua depredação.

Além dessas iniciativas, foram realizadas ações de educação patrimonial com os professores da rede municipal. O objetivo é que eles atuem como multiplicadores, dando visibilidade ao projeto de resgate histórico e à cultura arqueológica. Também foi organizada uma exposição sobre as ruínas da Enfermaria na Casa de Cultura de Jaguarão.

O prefeito Cláudio Martins diz que o trabalho, financiado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é muito importante para a recuperação da memória da comunidade e se constitui em um passo importante para a execução do Centro de Interpretação do Pampa nas ruínas da Enfermaria. "Esse trabalho contribui também com a economia do município, já que são gerados alguns empregos temporários e, além disso, a equipe, composta por dez pessoas, usufrui dos serviços de hospedagem e de alimentação locais", completa o prefeito.

Para essa etapa da escavação foram investidos R$ 157 mil, financiados pelo Iphan. As ruínas da Enfermaria Militar são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul. O custo para implantar o Centro de Interpretação do Pampa é de R$ 7 milhões, também com recursos vindos do instituto nacional. A finalidade principal do centro é ter um espaço de arquitetura e tecnologia contemporâneas, onde todos possam usufruir e se beneficiar de experiências de cultura e entretenimento. Será também um local para pesquisa acadêmico-científica e para arquivo de registros históricos.


Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/


domingo, 23 de janeiro de 2011

Diário Popular - Jaguarão - Selo de qualidade ímpar


O Diário Popular de Pelotas, na sua edição impressa de hoje, 23 de janeiro de 2011, divulga reportagem de Michelle Ferreira sobre o tombamento pelo IPHAN da cidade de Jaguarão.


A seguir , alguns trechos da matéria:



"As escavações na antiga Enfermaria Militar tornam-se a primeira de uma série de ações a serem implantadas na fronteira com o Uruguay; ao lado de Santa Tereza, Jaguarão vira a segunda cidade gaúcha a ser tombada pelo IPHAN."

"Elaboração de projetos, captação de recursos e recuperação de prédios. Com o selo de qualidade que poucas cidades possuem em todo o Brasil, o governo de Jaguarão começa a fazer um chamamento à população, não só pela preservação de imóveis. É preciso que os moradores compreendam o processo que se inicia. É fundamental que o tombamento não seja apenas um título, mas passe a repercutir no desenvolvimento socioeconômico. Se possível, também da região."

"O militar da reserva, José Albertino Teixeira, 90, recebe o convite para voltar ao Cerro da Pólvora. E, claro, aceita. Seu Taroco, como é conhecido, já está acostumado a dividir suas memórias da Jaguarão da primeira metade do século 20. (...) São lembranças assim , como as do Seu Taroco, que se emociona ao falar na carreira - e chora ao fazer rápida referencia ao período de um ano em que engrossou as tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial, na Itália - que a equipe de pesquisadores procura ter por perto."Estamos trabalhando com esse recurso da oralidade", afirma uma das coordenadoras das escavações, a arqueóloga Luciana Peixoto. É uma forma de cruzar os relatos com os apontamentos da arqueologia da arquitetura, por exemplo."

"O Centro em que estará inserido o Museu do Pampa, se voltará à educação patrimonial e à produção científica sobre as condições naturais, culturais e sociais da região. Para apresentar ao público uma síntese dos pampeanos, da vida doméstica ao ambiente de trabalho, com passagens pelo universo da política e também militar, por vezes, a vivencia será sensorial, cognitiva. Palavras de poetas. Sensação de frio. O Museu do Pampa promete agradar a todas as idades."

"Impacto ao entorno. A comunidade do Cerro da Pólvora se beneficiará diretamente com os investimentos da União: R$ 3 milhoes - do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)- devem ser aplicados em pavimentação, saneamento básico e na recuperação de 78 casas e na reconstrução de outras dez moradias."

Iphan busca o passado em Jaguarão

Foto: Carlos Queiroz

Conjunto histórico foi tombado em dezembro de 2010


    Por: Michele Ferreira
    michele@diariopopular.com.br


    Até o dia 4 de fevereiro devem estar concluídas as escavações junto às ruínas da Enfermaria Militar. Dez profissionais trabalham de domingo a domingo, desde o início do ano, e dividem-se entre analisar a arqueologia da arquitetura - para identificar as alterações na construção de 1883, ao longo do tempo - e buscar vestígios de um forte que teria começado a ser erguido no Cerro da Pólvora, o segundo ponto mais alto da cidade. É um processo imprescindível, para tirar do papel as obras que irão restaurar a antiga enfermaria e transformá-la no Centro de Interpretação do Pampa. É a primeira ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Jaguarão, desde o tombamento do conjunto histórico e paisagístico, em final de dezembro.

    Com a distinção, a cidade iguala-se a Santa Tereza, na Serra, e torna-se o segundo território gaúcho a receber o reconhecimento como Paisagem Cultural.

    Neste domingo (23) e segunda-feira, portanto, a edição impressa do Diário Popular traz a palavra de lideranças da comunidade e mostra como o município de fronteira com Rio Branco, no Uruguai, prepara-se para investir na vocação turística.

    Fonte: http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=1&noticia=32571

    sábado, 8 de janeiro de 2011

    A ponte, a cidade e o Escritor

    Reproduzimos do Blog ardotempo.


    Tombamento cultural e museu

    Jaguarão, a sua ponte e seu futuro museu


    Saudamos o tombamento do conjunto arquitetônico da fantástica cidade de Jaguarão como tesouro do patrimônio cultural brasileiro, os oitenta anos da Ponte Mauá entre Jaguarão e Río Branco e o futuro Museu do Pampa (CIP). Na imagem, a ponte que leva à cultura e ao conhecimento, a maquete da ponte internacional de Jaguarão (representação estilizada que completa cerca de 60 anos) na biblioteca do grande escritor Aldyr Garcia Schlee, acompanhado pela sua neta Helena.

    Maquete da Ponte Mauá - Aldyr Garcia Schlee e Helena (Capão do Leão Brasil), 2011

    Fonte: http://ardotempo.blogs.sapo.pt/

    Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja

      Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...