quarta-feira, 28 de julho de 2010

Milan Kundera, meu pai e as holandesas

Geada no Telho - Foto Lúcia Passos

Quem leu - e quem não leu, procure ler - "A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, há de se lembrar de um episódio ocorrido com uma das principais personagens. Como diz o confrade Edson, "gosto desse tipo de livro, embora saiamos curvados da leitura pelo seu peso".


Teresa, companheira do Tomas, tem uma uma cachorrinha de estimação, Karenin. Esta adoece e morre. O fato causa um grande sofrimento. O narrador reflete sobre o causo, a dona tem com seu animal uma relação idílica, isto é, um retorno ao paraiso, ao Éden. Por que esta relação com os animais é tão prazerosa e sentida de forma tão genuína nas pessoas ?


Seguindo na reflexaõ do autor, nós, os humanos fomos expulsos do paraíso. Os animais não. Eles não perderam a inocencia! Há uma espontaneidade, um desinteresse nesse amor . "Mas sobretudo: nenhum ser humano pode oferecer a outro o idilio. Só o animal pode, porque não foi banido do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idilico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução." (Sétima parte: O Sorriso de Karenin)


E o que tem a ver isso com as holandesas?


Ora, porque as holandesas era a raça de algumas vaquilhonas que meu pai tinha na chácara do Telho. Delas tirava o leite e vendia na cidade para melhorar os rendimentos e pagar a educação da gurizada. Quando ele chegava, parava a Brasília no meio do campo, e o gado todo vinha pra volta dele, e ele sabia os nomes das vacas e contava a historia de cada uma. E a relação que meu pai tinha com esses animais repetia a relação de Teresa e Karenin. Estar no campo era voltar ao Paraíso, a redenção.


Todo esse palavreado talvez tenha surgido de olhar a foto do Telho com geada.


Das coisas simples, da importancia da simplicidade. Só.


Ahhh.... e da boa relação com as holandesas!



Jorge Passos
Postar um comentário