sábado, 6 de novembro de 2010

Aldyr Schlee no Blog do Leitor


A obra do escritor fronteiriço

Aldyr Schlee e Claudio Moreno

O evento A literatura contemporânea do Pampa reuniu um “escritor fronteiriço”, como se autodenomina Aldyr Schlee. Na tarde desta quarta-feira, no Salão Leste do Santander Cultural, Schlee comentou detalhes de sua última obra, Don Frutos, a qual rememora os derradeiros meses de vida do primeiro presidente uruguaio José Fructuoso Rivera. A personagem, conforme disse o próprio autor, uma pessoa “endeusada pelos colorados, mas odiado pelos oposicionistas blancos“.


Schlee revelou se tratar de uma história mais antiga do que realmente imaginava. Pois as pesquisas tiveram início 45 anos atrás, quando esteve no Uruguai à procura de documentações a respeito de Rivera. No entanto, lembrou da inexistência de dados relevantes para uma tomada de posição sobre o caudilho: herói ou bandido? Um amigo pesquisador então o incentivou a realizar a obra:

- Ele pesquisou em todos documentos nacionais do Uruguai e descobriu diversas cartas de Rivera endereçadas à esposa. Aquilo serviu para descobrir que ele era um cidadão totalmente iletrado, mas repleto de história. O que me levou a escrever o romance.

Um livro de ficção, porém, com correspondências verídicas, documentadas. Entre elas, a diversidade de cruzamentos culturais naquela fronteira Uruguai-Brasil, mais precisamente Jaguarão – cidade natal de Schlee -, pela qual passaram ingleses, alemães, franceses. Um fato destacado pelo mediador do bate-papo Claudio Moreno diz respeito à verossimilhança narrativa da história. De acordo com Moreno, o escritor conseguiu marcar os estrangeirismos da linguagem em universo de entendimento de seu contexto.

A influência platina na obra de Aldyr Schlee poderia carregar certos questionamentos quanto a personagens supostamente esquecidos em “Don Frutos”. Discussão esta explicada por ele:

- Poderiam me perguntar sobre um espaço vazio do livro porque não trato da figura do Artigas. Mas é um vazio proposital, pois não havia espaço para ele como personagem secundário. O Artigas sempre é protagonista. Por isso a escolha de deixá-lo de fora. O brilho do Artigas não poderia ofuscar a história do Rivera.

Aborda os derradeiros meses de vida do caudilho uruguaio Don Fructuoso Rivera, estacionado por meses em solo brasileiro, em Jaguarão, em regresso à sua pátria depois de prisioneiro em duro exílio no Brasil, para assumir pela terceira vez o mandato de Presidente da República.

Aldyr Schlee concorre ao prêmio Fato Literário da 56ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Fonte : Roberto Azambuja http://wp.clicrbs.com.br/blogdoleitor


Aldyr Schlee estará presente na II Feira Binacional do Livro em Jaguarão de 20 a 28 de novembro lançando o romance "Don Frutos".


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