sábado, 27 de novembro de 2010

Borges em nova tradução

Denise Vallerius e Borges na II Feira binacional
Encerrando o ciclo de Palestras da Unipampa, a Professora do IFRS, Denise Vallerius falou sobre o seu livro "Borges em nova tradução - Regionalismo para além das fronteiras" fruto de tese de doutorado em literatura comparada na UFRGS.

" Me considero esencialmente un lector. como saben ustedes, me he atrevido a escribir; pero creo que lo que he leído es mucho más importante que lo que he escrito. Pues uno lee lo que quiere, pero no escribe lo que quisiera, sino lo que puede (Borges) "

A citação de Borges, presente no livro de Denise, remete ao respeito devido ao leitor, personagem central de toda obra literária. Respeito esse que deve estar presente na tradução.

O presente estudo analisou as traduções existentes no mercado editorial brasileiro de alguns contos orilleros - radicados no arrabalde buenairense - do escritor argentino Jorge Luis Borges, propondo uma nova alternativa de tradução para esses textos. Entre as justificativas do estudo está o surgimento de uma inquietação frente aos esforços que grande parte da crítica faz por postular a obra de Jorge Luis Borges como sinônimo de uma literatura completamente desvinculada da realidade e alheia à história. Conseqüentemente, para que esse discurso seja coerente, faz-se necessário ignorar ou, ainda, desvalorizar os textos borgeanos exemplares de seu comprometimento com a tradição e a realidade de seu país, classificando o escritor em fases distintas e irreconciliáveis: um primeiro Borges, nacionalista, de preocupações localistas, que viria a ser posteriormente negado e suplantado por um segundo Borges, cosmopolita e universal. Perante tal constatação, procurou-se, primeiramente, questionar essa classificação artificiosa, a qual tem como resultado um número quase ínfimo de trabalhos críticos que se dedicam à suposta primeira fase. Essa indiferença da crítica para com parte significativa da produção literária do escritor argentino é corroborada, também, pela constatação de que as traduções de seus contos de temática regional, para o sistema literário brasileiro, acabam homogeneizando o falar característico das personagens à variante padrão da língua portuguesa. Destarte, propusemos uma nova tradução para o conto "Hombre de la Esquina Rosada" a partir de uma aproximação do universo lingüístico e temático do escritor sul-rio-grandense Simões Lopes Neto - tradução que não se pretende definitiva, eis que nenhuma o pode ser, mas que, levando em consideração tanto os elementos do texto e da cultura-fonte quanto da língua e da cultura-receptora, permita ao leitor brasileiro vislumbrar um pouco da riqueza desse universo orillero. (Denise Mallmann Vallerius)


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