terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Chacarerita do Telho

                                                                                A Don Luiz e aos colegas da Senzala


Passando por turbulência
A bordo de um avião,
Descobri porque o Papa,
Quando chega, beija o chão!

Dotor, cosa mais linda
É ver um homem lendo,
Tenho uns livros lá em casa,
Quem sabe um dia aprendo!

Falava com Deus por señas
E recebia legendado,
Dizia: Não vingarás!
E o campo ficava queimado!

Chacarera , Chacarera,
Chacarerita do Telho
Nos pequenos dou de tapa...
E nos grandes dou de relho!

O Tito chegou dizendo,
Faz 36 horas que eu bebo!
Eu, só quarenta anos,
respondeu o Jader, sem medo!

Um Índio de bicicleta
fugindo de raio acolherado,
Dava um clarão, fechava os olho,
Chegou em casa estropiado!

Tomava mais caña
do que um renegado por Cristo,
Quando o patrão reclamava
dizia sempre: “tá visto”!

Chacarera , Chacarera,
Chacarerita Do Telho
Nos pequenos dou de tapa...
E nos grandes dou de relho!

Trabalhando como um Mouro,
sem sestea e dando o suor,
Me conformo com aquele ditado:
Podia ser pior”!

O olhar daquela loira
é como as águas do Lago,
Vais nadando tranqüilo,
quando vês, tás afogado!

De tanto andar embretado
no meio de um baita Eixão,
As vezes me dá vontade,
de rumbiar pra Jaguarão!

Chacarera , Chacarera,
Chacarerita Do Telho
Nos pequenos dou de tapa...
E nos grandes dou de relho!


Jorge Passos e Martim César


            Estes versos me surgiram numa daquelas caminhadas diárias em Brasília, rumo ao SAS, cruzando a plataforma da rodoviária. A voz e o violão do Cafrune me acompanhavam na melodia e foram surgindo as imagens das figuras pitorescas do Telho e outras mais. Lembro que quando cheguei na Senzala, o pessoal achou muito divertido. O Martim se agradou e me regalou o refrão.  

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