quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Thadeu Gomes - Cacimba do Ubatuba.wmv



Ao Araçá!

Na Ponte Preta, na rua do Cordão ,
Curral de Pedras, Cacimba do Ubatuba,
Onde negro tomba , negro geme e sua,
Onde negro tomba , negro geme e sua,

As negras minas foram mulher escrava,
Contavam causos na frente do quartel,
Vendendo doce pra soldado e coronel,
Vendendo doce pra soldado e coronel.

O meu avô, sapateiro corajoso,
Se arrepiou quando vinha do trabalho,
Era noite feia, era noite escura.
Viu alma penada na Cacimba do Ubatuba!

Ai, ai , ai meu Sinhô!
Ai, ai , ai meu Sinhô!
Negro foi caipora demais
Apanhou, apanhou!

Morá em maloca, não quer!
Viver de esmola , não quer!
Ser raça morta , não quer!
Ser marginal , não quer!

Quer ter escola, doutor!
Ser respeitado , Sinhá!
Ter bom trabalho, Sinhô
Ser lutador, Ser lutador!

Oooô! Oooô! Oooô! Oooô!

Meu avô se chamava Roberto, Certa vez, certa noite, fazendo serão, na sua sapataria no Cerro da Pólvora, foi passar pela Cacimba do Ubatuba, Lá por riba viu um vulto, noite escura, noite feia.
O véio viu um vulto em cima da Cacimba, meu fio. O Véio quis passar, Coisa feia, coisa preta, coisa do Capeta! E o véio muito corajoso, meu avô, se agachou, pegou um pedaço de pau e gritou: Quem tá aí?
Quem é Ocê? Ô nada? Ninguém fala? E aí vai bala, e o Véio mandou o pau!
E enquanto isso escutou-se uma explosão e um cheiro de enxofre, aquele cheiro de pólvora!
E o Véio foi pra casa, e a minha avó, dona Joaquina, Fez um chazinho de erva cidreira pro Véio,
E o Véio tremia dos pés a cabeça!
No outro dia a vizinhança, quando passou na Cacimba do Ubatuba,
viu um buraco muito fundo e aquele cheiro de enxofre,
O Véio tinha enfrentado o Diabo, foi o primeiro de Jaguarão que enfrentou o Diabo!
Enfrentou o Diabo o Véio meu avô,
Véio Valente, valente demais aquele Véio!!!!
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