quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Naquela noite no Bar da Zê

A Nau da Confraria
Naquela noite
Em uma taberna do mediterrâneo
Um escritor manco embriagou-se
E começou a rir
E riu-se tanto sem dizer a razão
Que a sonoridade dos seus risos
Atravessou o mar

Um poeta caolho
Talvez compreendendo aquele riso
Pediu licença
Sentou-se à mesa do escritor
E, em vez de rir,
Começou a recitar poemas
E recitou-os tão alto
Que a sua voz se fez ouvir
Do outro lado do oceano

Timidamente
Um homem por trás dos óculos
Aproximou-se
E, sem pedir licença,
Tomou assento junto aos dois
Mas este último
Diferentemente
Não bebeu nem falou nada
Tampouco aparentava algum defeito físico
Somente causou estranheza
Quando começou a escrever sem parar
E mais estranheza ainda
Porque a cada texto que escrevia
O seu rosto
Já não parecia ser o mesmo.

No final daquela noite
O garçom
Que fora apelidado de Colombo
Apanhou as inúmeras folhas
Que os seus insólitos fregueses
Deixaram
E com elas fez barquinhos de papel
Que foi jogando, um a um,
No mar.

A última nau
A mais acabada
Embandeirava um nome no seu casco: 
Confraria.

Martim César Gonçalves

Na noite do dia 16 de março de 2004
A Confraria dos Poetas de Jaguarão
Disse não à televisão!

Edson Martins

Ao Bar da Zê

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