sexta-feira, 10 de junho de 2011

Claudio Silveira Silva, arte da fronteira para o mundo.


No momento em que Jaguarão vivencia um período de grande efervescência cultural e histórica, com a presença da Unipampa, tombamento da cidade como patrimônio histórico nacional, projetos de restauração da Ponte Mauá, Mercado Publico, construção do futuro Museu do Pampa entre outros, nada mais adequado do que dedicarmos a coluna da Gente Fronteiriça para resgatar a trajetória de um grande artista das artes plásticas nascido nesta terra. O espaço de “Uma terra só” como bem diz o nosso escritor Aldyr Schlee.
Falar de Claudio Silveira é falar da fronteira. Típico habitante desta zona limítrofe , filho de pai brasileiro e mãe uruguaia, um “doble chapa” clássico, sangue brasileiro e oriental se misturam neste menino nascido em 1935 na cidade de Rio Branco. Sua família reside em Jaguarão, Rio Branco, a zona rural vizinha a ambas cidades e nos dois lados das margens do rio. Também circula por Pelotas e Montevidéu. Começa sua educação em escolas de ambos os países, confundindo métodos e idiomas, forjando uma personalidade complexa, como “ trançado em tentos de várias loncas”.
Desde guri sempre foi atraído pelo desenho. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes em Montevidéu, onde aprendeu com dois mestres , Vicente Martin e Adolfo Pastor, os segredos da pintura e do entalhe. Obteve uma bolsa para estudar na Escola Superior de Belas Artes em Paris e alí, ampliou e consolidou a técnica da estampa com Johnny Frieddländer. Radicou-se na Espanha em 1974, mais precisamente em Barcelona, mas seguiu mantendo contato com estas terras em visitas periódicas e com a exibição de suas obras em várias exposições. Sua obra é reconhecida internacionalmente. O imaginário do campo, as lendas, a presença negra, estão presentes em seus trabalhos. Sua produção artística se desloca em áreas afins que vão da escultura à Xilogravura, do Desenho à pintura. “ Minha obra registra minha aventura cotidiana, minha pequena verdade”, afirmou.
Suas obras se encontram em museus de todo o mundo e em importantes coleções privadas, devendo destacar-se o prestigio conquistado em París como entalhador em madeira.Há muitos trabalhos de Claudio Silveira Silva na casa de sua família e de particulares aqui em Jaguarão e Rio Branco. Em Durazno, Uruguay, a Intendência Municipal criou um museu com seus entalhes. 


Vista do Cerro das Irmandades. Trono do sol à esquerda

A nossa cidade foi agraciada com uma de suas grandes obras, citada em vários livros. O Trono do Sol, escultura ao ar livre, localizada no Cerro das Irmandades, ao lado do cemitério. Infelizmente, este monumento está se deteriorando. Seu amigo e parceiro Elias Pereira, que auxiliou na materialização de suas idealizações, dispõe do projeto original e está disposto a efetuar a restauração. Já há tratativas junto ao poder público para concretizar esta ação. Urge fazê-lo.
Ao pé do Trono do Sol estão gravados os versos inspirados de Eduardo A. S. Soares, em 1990.
O SOL NASCE E SE PÕE E VOLTA A NASCER
SONHANDO RETÊ-LO A MÃO DO HOMEM CONSTRUIU
O TRONO DO SOL NESTE CERRO OLÍMPICO
ONDE REPOUSAM NOSSOS DEUSES MORTOS
E AS GERAÇÕES CONTEMPLAM A CIDADE E O RIO.
Cláudio Silveira Silva faleceu em Barcelona em janeiro de 2007.
Estamos fazendo um trabalho de compilação sobre algumas de suas obras que estará proximamente, sendo divulgado no Blog da Confraria.

Jorge Passos

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional , edição do dia 02/06/2011.
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