segunda-feira, 6 de junho de 2011

Jaguarão como patrimônio histórico e cultural – a importância de uma universidade



Há muito tempo esta cidade clamava por um reconhecimento de seu patrimônio arquitetônico e de sua cultura fronteiriça, o que hoje é uma realidade. Há aproximadamente seis anos temos instalado em solo jaguarense a Universidade Federal do Pampa, a qual tem contribuído para legitimar Jaguarão como patrimônio histórico cultural nacional. A UNIPAMPA não é só mais uma Universidade em nossa cidade como tantas outras já foram como extensões, ela é o caminho para nós, jaguarenses, estudarmos nosso passado, conhecermos nosso presente e projetarmos para o futuro a cidade que queremos.
Como moradores desta cidade, quer sejamos alunos ou tenhamos algum membro de nossa família freqüentando os bancos universitários, precisamos abrir nossas mentes e nossos corações para acolher os professores e os estudantes que escolheram o nosso chão para trabalhar e estudar, com a hospitalidade que é característica da nossa cidade fronteiriça. Chamo atenção para o fato de que nós ainda não nos demos conta da grande conquista que é ter uma Universidade Federal em nosso território, ter o privilégio de conhecer e interagir com outras culturas de diversos cantos do nosso Brasil, tão rico em diversidade. Essas pessoas, que agora vivem e convivem conosco no dia a dia, vem para contribuir para o conhecimento de nossa história, através de projetos de pesquisa ligados ao patrimônio cultural da cidade, pois um povo sem memória é um povo fadado à estagnação e, portanto, a desaparecer.
O nosso papel, como moradores conscientes desse apoio vindo de fora, é o de contribuir nessa busca pela nossa identidade cultural. Por isso temos que parar de pensar na Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA – como um freeshoping, que se instalou no nosso quintal para que alguns obtivessem lucro com a vinda dessas pessoas para cá. Como diria Cazuza: “Eu vejo o futuro repetir o passado...”, porque quantas oportunidades tivemos de mudar o futuro de nossa cidade para melhor e acabamos fazendo com que esse futuro nunca chegasse,  por sermos um povo arredio e avesso a mudanças.
A UNIPAMPA e seus professores têm uma tarefa muito maior do que simplesmente formar professores, gerenciadores de turismo e pedagogos que é de fazer com que nossa cidade continue a ser reconhecida por sua cultura material, conseqüência do trabalho de seu povo.

Nelson Luís Corrêa 
acadêmico do curso de História 

Texto publicado no jornal Fronteira Meridional , edição do dia 02/06/2011. 
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