quarta-feira, 22 de junho de 2011

Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros é aprovado no 7º Encontro do movimento clubista em Jaguarão/RS

Prefeito, desembargador do Estado, representantes do IPHAE e entidades negras participaram do 7º Encontro Estadual dos Clubes Sociais Negros, no fim de semana, que definiu as diretrizes do movimento clubista
 
Autoridades e representantes de entidades do Movimento Negro do Rio Grande do Sul marcaram presença no 7º Encontro Estadual de Clubes Sociais Negros, realizado no sábado e domingo (18 e 19/06), no Clube 24 de Agosto, em Jaguarão/RS. Na programação do evento, organizado pelo Movimento Clubista do RS com apoio da Prefeitura de Jaguarão, através da Secretaria de Cultura (SECULT),  os clubes sociais negros debateram e aprovaram o Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros, que contém as principais diretrizes e estratégias de atuação do movimento para os próximos anos.

A abertura oficial do evento contou com a presença do prefeito de Jaguarão, Claudio Martins, do desembargador do Tribunal de Justiça do RS, Sejalmo Sebastião Neri, dos representantes do RS na Comissão Nacional dos Clubes Sociais Negros, Luis Carlos de Oliveira e Giane Vargas Escobar, dos coordenadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE). Robson Dutra Lima e Lidia Richiniti, do líder comunitário do Quilombo Madeira, Jadir Madeira, do diretor estadual de cultura do Movimento Negro Unificado (MNU), Mestre Chico. Também estiveram presentes os secretários municipais de Cultura, Alencar Porto, de Desenvolvimento Econômico, Paulo Vieira, de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Lizandro Lenz, e o vereador Obert Paiva, a diretoria executiva do Coletivo de Clubes Sociais Negros do RS, coordenadores regionais, presidentes e diretores de clubes sociais negros do Estado.

O anfitrião do Encontro, o presidente do Clube 24 de Agosto, Neir Madruga, saudou a participação de cada representante no evento que também simbolizou o apoio político do Movimento Clubista e da Prefeitura à entidade de 93 anos de história que enfrentou, após decisão da Justiça referente à uma dívida, um leilão para a venda da sua sede social. “Agradeço a todos que se unem a esta luta pela preservação desta história da comunidade negra de Jaguarão”, enfatizou. O clube foi fundado em 1918 por trabalhadores negros que se uniram em classe – a chamada “União da Classe”, no âmbito do Círculo Operário Jaguarense. 
De acordo com o prefeito Claudio Martins, que reafirmou a sua “negritude” diante do público que lotou o salão, a principal ação afirmativa do seu governo foi a certificação do Quilombo Madeira, além da criação da Semana Municipal da Consciência Negra. “Nós avançamos muito, mas temos uma tarefa enorme enquanto ainda tivermos uma criança negra discriminada na sala de aula, pois sou professor e sei que a prática do racismo é velada e, portanto, a melhor solução é a consciência”, avaliou. O prefeito citou o tombamento de cerca de 600 prédios do centro da cidade como o primeiro patrimônio Bi-Nacional reconhecido pelo IPHAN, a Feira Bi-Nacional do Livro, com espaço para a literatura negra, e o Carnaval, que tem uma bonita integração com o candombe uruguaio. Claudio Martins elogiou a garra do presidente e da diretoria do clube 24 de Agosto, que lutam pela salvaguarda e preservação da sede e da história da entidade. 

O exemplo de uma trajetória de superação na vida e trabalho foi demonstrado pelo desembargador Sejalmo Sebastião Neri, que quando criança foi menino de rua e através da dedicação nos estudos e no trabalho obteve diversas conquistas. Sejalmo foi eleito vereador por três mandatos em São Leopoldo e há 10 anos preside uma câmara no Tribunal de Justiça do RS. “Trago aqui minha solidariedade, pois tenho certeza de que o clube vai vencer esta batalha judicial para manter viva esta história”, ressaltou. Natural de Vacaria, Sejalmo é Bacharel em Ciências Sociais e em Ciências Jurídicas e Sociais. Ingressou na Magistratura em 1980, como Pretor e em 1982 foi nomeado Juiz de Direito. Exerceu a jurisdição nas comarcas de Arvorezinha, General Câmara, Ibiribá, São Sebastião do Caí, Rio Pardo e Porto Alegre. Foi Juiz Eleitoral e foi promovido a Desembargador do Tribunal de Justiça em fevereiro de 2000.

Após a cerimônia, um jantar de confraternização foi servido pelo Clube 24 de Agosto, com apresentações artísticas e culturais como o Mestre Chico, que abrilhantou o evento com o toque dos tambores e músicas afrobrasileiras. 

Patrimônio Histórico
Uma boa notícia foi trazida à comunidade negra pelo representante do corpo técnico do IPHAE, o historiador Robson Dutra: “Estamos analisando a documentação e temos certeza que nos próximos meses o Clube 24 de Agosto, de Jaguarão, será um dos primeiros clubes sociais negros a garantir o tombamento no Estado”, afirmou. Robson explicou ainda os procedimentos necessários para que os clubes sociais negros busquem o registro como patrimônio imaterial ou até mesmo o tombamento.

Espaços de resistência e memória
A diretora técnica do Museu Treze de Maio, de Santa Maria, e representante do RS na Comissão Nacional de Clubes, Giane Vargas Escobar, agradeceu a parceria da Prefeitura para a a realização do evento de organização do movimento clubista para a construção de políticas públicas. “Nos clubes sociais negros, além de gostarmos de festas e atividades, também gostamos de mostrar organização para manter viva a nossa história e a nossa cultura”.

Para Luis Carlos de Oliveira, vice-presidente da Associação Floresta Montegrina, de Montenegro e integrante da Comissão Nacional, os clubes sociais negros contribuíram, ao longo da história, para a economia, esporte, recreação e cultura dos municípios e do Estado. “Nosso objetivo é deixar este relevante legado histórico e cultural para as futuras gerações e por isso são tão importantes as políticas públicas que auxiliem na salvaguarda e desenvolvimento de atividades nestes redutos da comunidade negra”, enfatizou.

Plano Estadual
O Movimento Clubista, envolve um número aproximado de mais de 100 clubes sociais negros, distribuídos em diversas cidades do Brasil, tendo no Rio Grande do Sul sua maior expressão, com 57 dos clubes cadastrados da federação. Entre estas entidades, algumas já completaram mais de um século de história como reduto permanente da cultura e hábitos dos negros de nosso país.
 
Entre as diretrizes aprovadas no Plano Estadual dos Clubes Sociais Negros do Rio Grande do Sul estão a parceria com o Governo do Estado para o desenvolvimento de projetos em diversas áreas, curso de capacitação dos gestores clubistas, reconhecimento como Patrimônio Histórico e Cultural Afro-Brasileiro, financiamento para os clubes sociais negros, auxílio em questões jurídicas, entre outros. Para a elaboração do documento, os clubistas consideraram a avaliação dos eixos aprovados na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), a legislação brasileira, o Estatuto da Igualdade Racial e as principais demandas dos clubes. No domingo, ao final do encontro, as entidades abordaram sobre o contexto estadual e nacional e chancelaram a Associação Floresta Montenegrina como representante do movimento para disputar uma vaga na eleição do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do RS (CODENE) para o biênio 2011-2013. 

Para mais informações e notícias, acesse o Portal dos Clubes Sociais Negros do Brasil no endereço eletrônico: http://www.clubessociaisnegros.com.br . 
 
Por: Lisandro Paim - Jornalista MTE 12878
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