sábado, 4 de junho de 2011

Duas Parábolas de amor em variação



Em uma complexa interação entre o indivíduo e o coletivo, os antigos apelidaram Babilônia com a alcunha de A Grande Prostituta  ( Clique aqui para ler a Parábola I)

II - O teu blusão de lã rude
era sinal de  trânsito
-caixa de lápis-de-cor.
Os fios da tua manta
recolhiam e  sossegavam
todos os raios de todos os sóis.

E eu, passando por  ti,
multimilcolorida,
entrei em concerto contigo.
Tangi o teu  sorriso
e te soprei no ouvido
equilíbrios semânticos e o teu semblante  ensombreceu ...

E juntos, enovelamos
os meuseosteus braços e  placeamos pelas calles,
comerciando miradas e,
íamos e vínhamos,
para  lá e para cá,
como num tango ...
E os teus cabelos sedavam ao  vento,
Não pareciam valer grande coisa,
mas,
eram MUITO  bonitos!

Então, depois, vieram boys,
vestidos de cinza-escuro e/ou  marron,
em automobilíssimos aurinegros.
E tu te enamoraste deles, e  tiraste o teu pulôver,
tua manta, tuas lãs, tua cor   e  branca,  deitaste com eles,
nos carros deles, entre palancas, toca-fitas,  reclinações dos assentos,
espelhos retrovisores, para-brisas;
entre botões  e painéis,
eles apalparam teus seios
e derramaram sobre ti
seus  líquidos, que eram
como os  fluxos           das            bombas          de       gasolina.

E, depois, todos eles, boys,
todos vieram sobre ti,
em  seus carros, com buzinas, faróis e pisca-piscas,
rodas e e engrenagens.
E  julgaram-te segundo seus juízos.
E, depois (já nada podias fazer),
com as  rodas, com os pneus, fizeram-te cair o nariz, as orelhas, os braços e os  pés,
por último, o que restara de ti
lambuzaram de combustível e tocaram  fogo.

Contudo,
estabeleci um concerto eterno entre nós... 
Já  nada podes fazer.

Sérgio Christino
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