domingo, 2 de outubro de 2011

O HOMEM MAIS BONITO DO MUNDO


De todas as pessoas que amo e que admiro ( algumas só amo, outras apenas admiro) nenhuma cala tão fundo no meu peito e está tão em mim e reflete tanto o homem que quero me tornar do que o seu Jota Martim. A poesia que une todas as pontas há tanto desfeitas daquilo que eu costumava entender como lar ( ou como família, essas duas palavras são sinônimos, quando ainda se é criança e o tempo ainda não se fez nosso inimigo).

Com seu jeito de quem sempre tem algo pra fazer ( mesmo quando não o tem), com seu coração maior que o mundo, meu avô é o homem mais bonito que conheço, não me venham com Pitt’s, Cruise’s, Gianecchini’s, ou coisas que o valham. Ninguém se parece tanto ao belo, ao bom, ao feliz e ao humano do que esse homem tão melhor do que eu, e do que grande parte das pessoas. Tão melhor, sem fazer força alguma, sendo apenas o que é. Mesmo quando turro e irritante, mesmo quando humano.

Lembro ( muito embora não lembre realmente) dos dias de infância em que não importavam as intempéries,as pedras que caíssem sobre sua cabeça, os tombos que a vida lhe desse, ele atravessava as noites mais frias, para buscar remédios para mim, não mais que um bebê, mas seu neto, parte dele, como sempre hei de ser. E como desejo um dia me olhar no espelho e vê-lo, ali transcrito no fundo do olhar.

Como desejo, como preciso, como sonho em ser tão grande ( ou quase isso, que no es lo mismo pero es igual), como desejo, como preciso, como sonho em ouvir de um mago que esse homem viverá pra sempre, ou que ao menos somente irá partir depois que eu já não estiver por aqui. Sei que é improvável, que é utopia, fantasia, mas, ora bolas, me deixem sonhar, ninguém tem tanta vida transbordando de si à toa.

Nicolás Gonçalves

Texto publicado na coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional do dia 29/09/2011
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