sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Entrevista com Leci Brandão em Jaguarão Parte I
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
A Confraria no Ligação Direta

terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Locomotivo


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Em Jaguarão
domingo, 26 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
MUNDO HOMEM...! (Nada mudou, Bandeira.)

Vi uma vez mais aquela criatura,
Semelhante a de um filme de terror,
Apesar de viva
Ontem, dez e tanta da noite, véspera de natal.
Os brilhantes pisca-piscas
Nas árvores, delimitavam
Os horizontes de uns e outros;
Afoitos passantes
Com suas híper vias sacolas,
Extras sorrisos, americanas
Fantasias, mac donos
De fartas ceias
Em noite de natal.
E lá está ele;
Indignamente um não-gente, morto-vivo;
Pulsa, é humano (ao menos parece)...
Vejo-o sempre próximo ao abrigo São Paulo,
Deitado no chão, encharcado de aguardente,
Aguardando uma eterna e inexistente vaga.
Não posso denominá-lo um bêbado,
Seria pouco, creio...
Talvez por misericórdia ou humorismo macabro,
Alguém doou-lhe uma velha roupa de papai noel,
Única indumentária sobre seu corpo
(Se aquilo assim pudesse ser chamado).
Em seus braços e pernas haviam faixas e gesso,
Fruto de não sei quantos acidentes,
Incidentes e álcool excedente.
Parece múmia, tantas gases envoltas pelo corpo,
(Se aquilo pode ser visto como tal).
Deitado na terra, sujo, moribundo,
Bêbado e delirando, não consegue se levantar,
Apesar da mochila vazia às costas.
Morre aos poucos,
Poucos o vêem.
Será que tem família, filhos(as),
Esposa, mãe, pai, irmãos, amigos
Ou algum passado?
Quem conhece sua história?
Algum registro, quem sabe, lembrança
De uma existência humana?
Véspera de natal.
De noite feliz; oh Senhor...!
Que escuridão se encerra em
Suas noites moribundas?
E todos passam por ele;
Sequer compreendem sua vida,
Que apesar de tudo, existe (não para ele).
Contudo, apressados, seus iguais ora riem,
Ou se enojam, salvo um ou outro.
O que senti foi repulsa desta sociedade
Onde os senhores do tele-natal
Mandam repetir nos meios de comunicação
Mentirosamente, a persistente
Idéia de um natal feliz "para todos"
Omitindo para o mundo
O fato ilógico de
Um cão abandonado
Viver melhor
Do que
Estes não-seres,
Vistos
Repetidamente
Natal após outro...
Elder Pacheco
Militante histórico das lutas sociais em Minas Gerais, irmão e companheiro,
Axé para todos(as)
dez/2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Papai Noel é um lixo?
Reproduzimos a Coluna do Juremir Machado no Correio do Povo de hoje:
Crédito: ARTE PEDRO LOBO

Nada a ver com o milenar e generoso Nicolau.
Grupo de Teatro Municipal na Programação de Natal
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Do Twitter da Leci

A MEDIDA DO QUADRADO

A medida do quadrado não é dada,
É a medida imposta pela razão.
Quatro lados de anteparas
Ou de laços e amarras.
René descartou o sentimento...
Alinhou o homem à razão.
A razão se tornou obsessão...
Obcecado o ser dos números.
Os números são cegos, mas não mudos:
Falam da minha vida e dos meus mundos.
A razão que cerca a vida oprime.
Nova forma de viver: com muros.
Um coração, um pensamento,
Um sentimento, solidão...
Racional, mas complexo,
Construído e em construção.
Resta a dor, e a solidão...
Os caminhos poucos,
Do homem oco, são números loucos ...
E os números não o fazem “ser”.
É preciso vencer os números ...
Resta a dor, e a solidão...
Números loucos ...
Não me fazem “ser”...
Fábio Oliveira
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Leci Brandão Abertura do Show em Jaguarão 2010
FELICITAÇÕES PELO INTERNETCHÊ
numa dessas
tardes em que
o sol tava se indo
embora, e eu no meu
matear solito, comecei a pensar.
Estamos botando mais uma marca
na existência da vida. Então decidi que
deveria mandar uma tropilha de palavras
pra ti, assim, poderia dividir com meus amigos,
esses devaneios de saudades desse tempo que já se
foi, pois já estamos no fim dessa etapa chamada de 2010.
Nisso me lembrei dessa tal de INTERNETCHE, achei que
seria fácil, era só camperiar por alguns SITES e já de pronto
acharia o que estava por campear. Me deparei com muita coisa da
buena, mas nada daquilo que eu queria te dizer, pois descobri que não
havia ali as palavras puras que minha xucra alma sente para falar contigo.
Por isso vivente te digo, com esse meu jeitão rude, que fiz tudo que pude.
Pra te dizer o que minha alma sente, queria ter te encontrado todos os dias,
ter te dito, Buenos dias, buenas tarde, buenas noite e tudo mais, mas, talvez
nos vimos tão depressa, no afazer das nossas tarefas, que nem isso aconteceu,
pois o ano recém nasceu, e já está para acabar. Mas peço ao Tropeiro do Universo, sim,
Ele que tudo pode, que nos traga sentimentos nobres, de amor e amizade. Que tenhas lembranças boas, por tudo que te aconteceu. Que o Menino que há 2000 anos nasceu, nos ilumine todos os dias. Que renasça a alegria, para quem à perdeu. Que se a caso não te aconteceu, tudo aquilo que queria. Que não percas a alegria, o entusiasmo e a coragem, a vida é uma viagem, mas é nós que escolhemos
o caminho,
espere mais
um pouquinho,
e tudo vai
acontecer.
Um novo ano
vai nascer,
deposite
nele tua
esperança,
quem espera
sempre alcança,
diz o velho ditado.
Então, te desejo parceiro(a), junto com tua gente, um Novo Ano maravilhoso, de conquistas, alegrias e realizações.
Mas para que tudo aconteça, antes, se agarre na proteção do céu, agradecendo ao Pai Soberano,
pois assim a cada ano, será feliz o teu viver, e em cada amanhecer,
Será como um NOVO ANO !!!Feliz Natal!!!
E um baaaaaaaita 2011!!!!
Diário Popular - Verissimo traz seu sexteto à praça Coronel Pedro Osório

Uma nova parceira vai render bons furtos e Pelotas será a primeira e única, este ano, a ser contemplada com a apresentação do primeiro sexteto formado por cinco integrantes - quatro músicos e um metido a instrumentista, na opinião do escritor, cronista e o campeão de pitacos 2010 Bom-Dia Brasil, Luis Fernando Verissimo. O Sesc Pelotas, dentro do Projeto Natal Feliz Cidade, em parceria com Sindilojas e prefeitura, apresenta nesta terça-feira, dia 21, o grupo Jazz 6, na praça Coronel Pedro Osório.
Depois de percorrer o interior de São Paulo, com direito ao encerramento da turnê no Sesc Pompeia, os músicos Luiz Fernando Rocha (trompete e flugelhorn), Adão Pinheiro (piano), Jorge Gerhardt (contrabaixo elétrico), Edison Espíndola (bateria) e Luis Fernando Verissimo (sax) estreiam a parceria no Sul, para apresentar o último trabalho: Four. Uma boa pedida para quem curte jazz e bossa nova, estilos que a banda mescla com desenvoltura e muito improviso.
Serviço
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Leci Brandão! Presentaço de Natal para Jaguarão!


domingo, 19 de dezembro de 2010
sábado, 18 de dezembro de 2010
Exposição da Escola de Arte na Casa de Cultura
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
NATAL SOCIAL CULTURAL - Final de semana com muita música em Jaguarão

Fonte: http://secultjaguarao.blogspot.com/
Lanzamiento de "ARQUITRABE", de GERARDO CIANCIO
Candombe para Gardel - Feijão no Dente
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
UM SONHO

No entanto, dessa vez não temos em conta qualquer obrigação de obedecer a um tema, assim, narraremos algo que não é costumeiramente pensado como literário. Narraremos um sonho.
O Sr. C., que a vida inteira dedicou-se à pratica do paraquedismo - primeiramente militar e depois de maneira publicitária - sonhou que em uma de suas quedas, avistara um estranho mundo entre as nuvens.
Lá estava, um povo de homens e mulheres diminutos, com sua paisagem de muitas árvores e riachos. E ocorreu, que C., em sua descida, passou por eles como a Lua ou o Sol passam por nós, ou seja, como um grande rosto a mirar-nos pelo interregno de um dia inteiro. Assim cruzara o Sr. C., lentamente como um dia dos liliputianos. Entrementes, ao Sr. C., afetara-lhe um átimo de tempo; e foi o que lhe bastasse para intuir o desiderato daquela espécie.
Os pequeninos seres viviam em um clima inteiramente favorável, ameno. Havia alimento por toda parte. Para aqueles, uma profecia revelara que a missão de todo o povo era reproduzir-se em escala elevadíssima para que assim descessem mais prontamente a um lugar onde poderiam fixar-se com segurança.
Então, a primeira coisa que o Sr. C. viu, quando aproximou sua enorme cara daquele estranho mundo, foi os pequenos seres em atividade sexual - se falar assim não os ofende -. Precisavam aumentar o peso sobre o mundinho que se deslocava para baixo, em uma queda em muito freada pelas copas das árvores, que estranhamente, não davam frutos antes de coparem em formato de imensos cogumelos. Os pomos que brotavam dessas árvores eram o principal alimento das criaturinhas, por isso não as abatiam.
Eram em tudo parecidos com nossa espécie, a não ser pela cor da pele, que, rosada, lembrava nossas crias recém nascidas. Sendo que estas, deles, eram de cor escura como o pelo dos burros; com um golpe-de-vista o Sr. C. divisou uma fêmea parindo seu bebe escuro - é que os nascimentos ocorriam em toda a parte e à toda hora, consequência obrigatória, no caso deles, da atividade sexual. Em adultos via-se-lhes rosados, de um rosa desesperado. Operavam com seus órgãos afins, com intensa energia e prazer, que se lhes não apontariamos estarem a cumprir outra obrigação que não aquela que sempre almejaram incumbir-se. O Sr. C, de fato, corou ao passar bem próximo de um casal que trabalhava. Ao tempo em que se beijavam, ligados, estendiam a mão e apanhavam frutos que devoram com lascívia e devassidão nos olhos.
Quando desceu em terra o Sr. C. estava mudado, perturbara-lhe o que vira.
Sérgio B. Christino
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Aldyr Schlee no Premio Açorianos 2010
Reproduzimos do Blog do Luiz Carlos Vaz:
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Un tango para Gioconda
A las dos de la tarde se cortó la luz. A las tres, la furia tempestuosa se había aplacado. Ahora llovía en sesgo sobre el antiguo empedrado gris y pulido de las calles. En el enramado de los árboles la ventisca tocaba su flauta quejumbrosa.
Esta tormenta es la última postal que el invierno nos remite antes de seguir viaje. El desfile militar del 7 de setiembre, fecha patria brasileña, cayó sobre las tropas en marcha como un enjambre de flechas durante un combate medieval. Dispersó al público que, huyendo como hormigas ante el gas letal lanzado por un agricultor furibundo, buscó resguardo en cualquier atrio vacío o bajo las cornisas frente a los escaparates de las tiendas comerciales, cerradas por ser feriado nacional no laborable.
Pocas veces el cielo me obsequia un paisaje tan acorde con mi estado de ánimo; o lo contrario. Ha sido un día de plena conjunción; vibramos en la misma onda hertziana. Hoy tengo alma de bolero, pero, como vivo en Brasil, si tuviera un viejo tocadiscos colocaría algo de la inefable Dolores Durán, o me leería unos versos de Vinicius. Y si viera entrar a esa dama tán blanca a la que alude el antiguo romance del enamorado y la muerte, la invitaría a un trago… ¡Quién sabe, hasta cenaríamos juntos a la luz de las velas!
Pasada las diez y media de la noche, ha vuelto la luz. Pienso en vos, querida amiga. Aún sin poder concentrarme en ningún rasgo físico tuyo, o pese a no conocer tus características, tu humor, o alguna hilacha de tu alma. Pese a ello, pienso en vos.
Asimismo, podría decirte que hoy tengo algo de Joaquín Sabina rodándome el coco. El blanco de las casas encaladas de su Andalucía natal, de los pueblos con burricos cargados con cestas de aceitunas; el rasguido límpido y los acordes indo-árabes de la guitarra flamenca; los ayes afónicos y guturales de un cantaor traídos por la brisa primaveral desde algún mesón del sevillano barrio Santa Cruz, o los aromas mediterráneos impregnando la Feria de Abril, en la capital andaluza, con su multicolorido desfile de majas con mantilla y toreros vestidos de oro y grana. Y un cierto rancio, como pátina de fondo, diluído en la urgencia ríspida y babilónica de los rostros anónimos y fríos de Madrid. Hoy soy pura nostalgia. Me siento Sabina y viceversa.
Ya lo sé, rubia, vos no sos terapeuta ni Madre Teresa de Calcuta; tenés tus propias nanas y tus nenes. Pero, ¿me permitís decirte algo?: Hoy quisiera ser yo quien aparece abrazándote en esa foto, mientras vos le lanzás a la cámara una sonrisa enigmática, con algo de la Gioconda, con los brazos apoyados sobre la mesa y el mate en una mano. Te diría más: creo que hoy serías vos quien debería abrazarme, al tiempo en que yo, apretando el mate, dudaría entre mirar la lente o despejarme los ojos. El hecho es que el próximo sorbo tendría un dejo a sal.
Mirá vos, ¡yo que le huyo al tango como el diablo a la cruz, hoy te escribo como un tano nostálgico del 900, que contemplara ensimismado las aguas del Plata mientras echa de menos a alguna dolce ragazza que lo despidió en el puerto de Nápoles, o que se volvió un puntito indefinido y de inexorable adiós, caminando absorta, vacía y ausente, por las arenas inhóspitas de alguna olvidada bahía en el Golfo de Sorrento!
Al estilo de un vecchio anarco inconformista, hoy es mi cuore el que me sabotea, como si desde otro tiempo me gritara: “maledetto, così pagano i capitalisti”!
Bueno, rubia, perdoname el jonba. Pero es que intuyo algo en vos de mamma per tutti, y aunque no nos conozcamos, quisiera decirte que hoy te perdonaría todo. Si me colocaras un tango, te lo aguantaría; quizá, si me ayudaras, arriesgaría unos pasitos tímidos contigo, siguiéndote por la sala, entre la mesa del centro y los sillones, poniendo más cuidado en no pisarte los pies, que en acertar el paso.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Tem poesia na Casa do Livro

VIII edição do Sarau Poético-Musical encerra agenda cultural do ano na BPP
A poesia de autores locais encerra, na proxima terça (14) a programação cultural 2010 da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP). A partir das 19:30 horas, no salão térreo, o público acompanha a oitava edição do Sarau Poético-Musical BPP , que intercala música e poesia recitada. No formato violão e voz, Luciane Casaretto faz a parte musical do evento, apresentando composições próprias .
Adriana Geisler, Daniel Stepanski, Ivo Ferreira Gomes e Luis Borges são os autores-poetas convidados pela coordenação do projeto que, sempre com entrada franca, oferece eventos mensais. Além de oferecer um espaço especifico para autores-poetas e músicos da cidade e região, o projeto procura destacar nomes da poesia de todos os tempos e geografias. Entre os poetas lembrados desde a primeira edição, em maio, destaque para nomes como Mario Benedetti (Uruguai) , Fernando Pessoa (Portugal) e Pablo Neruda (Chile).
Os saraus mensais da BPP tem como apoiadores culturais Labore Engenharia, Radiocom.104.5FM e REVISTA-SEJA. BLOGSPOT.COM.
Contato coordenação - saraupoetico@hotmail.com
domingo, 12 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Juventude(s), violência e criminalidade: o que a cultura independente tem a ver com isso?
O Coletivo Cultural Feitoria do Linho Canhamo e a Rede Metrô Rock estão realizando em 2010 o primeiro Festival MetrôRock. Este festival acontecerá simultâneamente nas cidades de São Leopoldo, Sapucaia, Esteio e Porto Alegre na semana de 11 a 19 de dezembro e propõe uma programação variada e diversa, plena de atividades artísticas, educativas e socioculturais. Poderia ser mais um evento artístico, mais um festival de música, mais um ciclo de oficinas ou, até, tudo isso junto. Seria legal, sim, mas e daí? O que estamos fazendo de diferente? O que esse festival, essa REDE e esses COLETIVOS têm a oferecer que possa efetivamente produzir alguma mudança? Que possa apontar alguma nova perspectiva?
Penso que o primeiro elemento é o fato de termos consciência de que estamos fazendo arte e indo além da arte. Estamos fazendo intervenções estéticas e políticas. Mais do que propondo, estamos inventando. O primeiro fato novo é a existência de um numero considerável de coletivos que tem como ponto comum a produção artística e a circulação desta produção. Tudo isso feito de forma coletiva, solidária e autônoma. O segundo elemento acaba por ser resultado natural deste primeiro: a articulação destes coletivos em uma rede. E não é qualquer rede, não. É uma rede metropolitana de arte independente.
Construir um espaço privilegiado como este, só faz sentido se pudermos compartilhar essa potência criativa com a comunidade e, em especial com os jovens, de nossa cidade e região. Essa expectativa diferenciada tem um motivo muito específico: a Arte, como a entendemos, é um dispositivo de desacomodação, provocação e renovação das formas de ser e de relacionar-se. Sem querer encaixar a juventude numa “categoria” mais ou menos confortável, acredito que neste espírito de inquietação e de provocação os jovens encontrem muita identificação com as artes.
Além dessa convergência mais conceitual, o Coletivo Feitoria também trabalha na perspectiva de geração de trabalho e renda com a juventude, através de empreendimentos de economia solidária nas áreas de construção de instrumentos, produção cultural e ensino da arte. Em breve, estes empreendimentos estarão articulando ações que irão atender preferencialmente aos jovens em situação de vulnerabilidade social e em conflito com a lei.
Poderíamos escrever muitas e muitas páginas sobre as conexões muito particulares dos jovens com as artes e os motivos pelos quais a juventude tem legitimidade para protagonizar eventos como o Festival Metrô Rock, (clique aqui para ver a programação) mas a urgência e o bom senso (que nem sempre andam juntos) nos delegam uma missão: Convidá-los a participar da programação do festival e nos ajudar a criar uma experiência cultural que transborde dos palcos e das salas para as ruas dessa cidade.
Núcleo de Educação do
Coletivo Cultural Feitoria do Linho Cânhamo.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Intuição

Já repararam que na palavra prostituição, acrescentando a letra “n”, estará contida a palavra intuição? Há muito tempo ouvi uma estória e dela me lembrava ontem à noite. Daí surgiu a observação que faço, em atenção a uma mania que trago desde criança: perceber as relações entre os fatos da vida.
A zona de meretrício localizava-se próxima ao centro da cidade, num bairro que há muito não sentia o cheiro de tinta fresca. Os quintais das casas e o passeio público rivalizavam na sujeira; era um acordo tácito entre o público e o privado. Ali viviam trabalhadores de baixa renda, alguns desocupados e mulheres que optaram por morar próximo ao local onde ganhavam a vida.
Morava e trabalhava ali uma jovem de vinte e dois anos, que aqui tratarei por N. (acho que foi essa letra inicial que desencadeou o resultado das reflexões de ontem à noite). Tinha mãe ainda viva e jovem, mas ignorava o paradeiro do pai. À insistência da filha em querer conhecê-lo, a mãe reagia com impaciência e, decidida, não tocava no assunto. Fizera apenas duas concessões naqueles anos todos, revelando o nome e as circunstâncias do abandono.
Os sentimentos da mãe também foram revelados juntamente com aquele nome. Era cristalino para N. que a mãe ainda o amava, pois, se lhe revelava o nome, apesar de não admitir maiores conversações a respeito, é porque nominava um sentimento; se preservamos o nome, é porque o objeto, de alguma forma, está a salvo.
Mas a filha sabia mais sobre o pai do que supunha sua mãe. Nunca o vira, nem lhe seguira os passos, mas conseguira uma informação, absolutamente significativa, fruto do mais puro acaso. Pelos sentimentos da mãe e pela importância da informação, jamais revelou o segredo.
N. recebia seus clientes em sua própria casa, visto que não morava com a mãe havia cinco anos. Amava flores e plantas e tinha verdadeira paixão por pintura. O jardim da casa era bem cuidado; seu maior orgulho era uma orquídea que ganhara de um cliente. A partir de reproduções baratas de obras famosas da pintura universal, mantinha espalhados pela casa Picassos, Gauguins, Portinaris e seu autor favorito, Claude Monet. O gosto pela arte, de onde ele vinha, fantasiara que herdara do pai. A verdade é que, quando pequena, ainda freqüentando a escola de uma pequena cidade do interior, participara de uma excursão à capital em visita a uma exposição. O deslumbramento por ver aquela metrópole pela primeira vez fora suplantado pelo esplendor das cores, sombras e luzes.
O que de fato nos interessa ocorreu numa noite de terça-feira. Um homem, que nunca vira, bateu à sua porta em busca de seus serviços. Logo que entrou, causou-lhe uma pequena inquietação que foi aumentando, conforme conversavam e bebericavam antes de irem para o quarto. Ele tinha pouco mais de quarenta anos, estatura acima da média, porte atlético, como se diz. A voz macia e serena, seus gestos delicados, causavam em N. a impressão de aquele era um homem bondoso. Mas era triste aquele homem. Quando N. falava, seu olhar era distante, como se estivesse preocupado; como se fosse preocupado. Carregava um peso consigo, disso não havia dúvida. Freqüentemente olhava para o chão, embora não fosse tímido.
N. não conseguiria ir com ele para o quarto; o melhor a fazer era dispensá-lo, sair e tomar um pouco de ar fresco em alguma rua à beira do cais. Pretextou uma forte dor de cabeça e problemas de pressão baixa e pediu-lhe que viesse outro dia. Em outras circunstâncias, não teria agido assim; os homens costumam ser violentos quando lhe negam o prazer uma prostituta. Mas aquele não; aquele homem seguramente seria compreensivo com ela, como de fato foi.
O gosto pela pintura a levava freqüentemente ao Museu de Arte Moderna no centro da cidade. Nas tardes de sábado gostava de freqüentar galerias, ateliês e esperava ansiosamente por uma nova exposição no museu. Naquele sábado, a tarde seria toda dela. Nenhum dos clientes casados, que não podiam procurá-la à noite, agendou encontro. Vestida com sua melhor roupa, foi ao encontro das obras de artistas hispano-americanos, com destaque para os mexicanos.
Gostava de assinar o livro de presenças; era um ato de comunhão, dizia ela à mãe. Na pequena fila que se formou diante do livro uma visão inesperada quase a fez desistir. O homem daquela terça-feira aguardava a vez imediatamente antes dela. Quando ele assinou e virou-se lateralmente para dirigir-se à porta de saída, ela inclinou o rosto para baixo para não ser reconhecida. Com mãos levemente trêmulas assinou o livro e leu o nome que estava logo acima do seu. A forte emoção tomou-lhe conta do corpo, que caiu ao chão; depois da explosão, a implosão. Quando voltou a si, aceitou um copo d’água que lhe ofereciam, disse que estava bem e que já poderia ir. Saiu e sentou-se em um banco na praça em frente ao museu. Após quinze minutos contemplando os pombos que por ali mendigavam, dirigiu-se à igreja, a dois quarteirões dali.
Em lágrimas, pediu a Deus que perdoasse e protegesse aquele homem e agradeceu por não ter levado para o quarto o assassino de seu pai.
Edson Martins
Clandestino - Gilberto Isquierdo e Said Baja
Assim como o Said, milhares de palestinos tiveram de deixar seu país buscando refúgio em outros lugares do mundo. Radicado nesta fronteir...

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Mi madre falava mui bien, yo intendia. Fabi andá faser los deber , yo fasía. Fabi traseme meio litro de leite , yo trasía. Desí...
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A região onde hoje se encontra Jaguarão, primeiramente foi território indígena. Neste espaço geográfico do Pampa, uma nação vi...
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Programa Café da Manhã do DCM recordou a passagem de Belchior por Jaguarão e Lagoa Mirim- Aqui sendo recebido na Casa de Cultura Montevi...