domingo, 19 de setembro de 2010

Sant'Ofício


Da esq. para a dir. : Eduardo, Rafael, Jorge
Ao Amigo Zanoni Garcia



Prosseguindo com as memórias da Confraria, registramos o Grupo Sant'Ofício.


Por que esse nome? Claro que não era uma homenagem à inquisição, pelo contrário, era uma celebração da sagrada arte de trovar, e ser músico popular. "Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão, que muita gente boa pôs o pé na profissão" como diz o Fernando Brandt na música do Milton.


Corria o ano da graça de 1983. Pelotas, por ser um centro regional de maior proximidade como Uruguay e Argentina e também centro estudantil universitário , registrava a formação de diversos grupos de pesquisa e desenvolvimento da música latino-americana. É o caso do Grupo Latino -América, do Americando - que mais tarde se desmembraria em outros dois grupos, o Quatro Cantos, depois Acalanto Latino e o Sant'Ofício.


Portanto, éramos filhos do Americando. E bons filhos, creio.


"Sant'Ofício possui uma rara identificação com as raízes culturais e populares de nossa gente, assim como consciência da influência político-social sobre ela exercidas. Jorge Passos (percussão), Eduardo Silveira (charango e violão) e Rafael Cruz (flautas e violão) são brasileiros, como poderiam ser uruguaios, argentinos, chilenos ou de qualquer outro país deste continente, pois a identificação cultural e o talento músical coloca-os num contexto musical universal"

(Texto de Martim Coplas no folder do show de reedição da Missa da Terra sem males em Lages - SC, trabalho em conjunto com o cantor argentino. )


Muitas andanças do Sant'Ofício, tocávamos nos bares, no Americando, em Pelotas na Avenida com Santa Tecla, na pizzaria do Henrique, em Jaguarão no restaurante Piratinense, fizemos duas temporadas no Cassino em Rio Grande, abrindo show do Labarnois e Carrero na Furg , Santa Vitória do Palmar, Tramandaí. Defendemos a canção "Flor Americana" com Bira Cunha na 2ª Charqueada de Pelotas, conquistando o 3° lugar. Essas e outras tantas aventuras.


Lá íamos pra estrada, no Corcel II do Rafael, eles com violões, flautas, charangos, eu, com o bombo e a minha cruz, uma tal “taquareira” inventada pelo Eduardo que dava uma trabalheira medonha pra carregar e montar. Mas ríamos ... e cantávamos.

Martim Coplas estava empenhado em que continuássemos o trabalho da Missa da Terra sem Males, porém a necessidade e o destino fez com que o Sant'Ofício findasse sua história em 1985.

Hoje, embora distantes, professamos a mesma fé na arte como fator de desenvolvimento e transcendência humana!


FLOR AMERICANA ( Gilnei Lima e Ubirajara Cunha)


Soy pequeña flor americana

ojos negros,piel de havana

olhos negros , pele havana

como frágeis rosas, margaridas

rudes Mercedes. Violetas

rebentos de dores e paixões

fêmea de socialistas e ditadores

jardim dos pampas, centro e sertões


Parda flor, madre americana

de ventre tão largo

de germinar tantos filhos

de seios maduros

de alimentar esses meninos


Flor parda , mãe americana

de colo cansado

de repousar seus guerreiros

de olhos molhados

de chorar os seus enterros


Soy pequeña flor americana

manos fuertes y pasión serena

fortes mãos , paixão serena

como frágeis damas. Meretrizes

rudes operárias, camponesas

uma força ou mulher, simplesmente

que ainda tem amor e paciência

pra receber e germinar tua semente


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