segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Saga do Rebojo



Do Rio Grande do Sul a Noronha

O sotaque não esconde. Eles são do Rio Grande do Sul. Mas, nada de Porto Alegre ou alguma cidade pertinho da capital gaúcha. Na verdade, eles vieram de Jaguarão, município que fica a 400 km de Porto Alegre e faz fronteira com o Uruguai. É de lá que veio a tripulação do barco Rebojo I, comandada por Ernesto Pires, 71 anos. A embarcação ganhou o prêmio especial de "Barco brasileiro de local mais distante”, na 22ª Refeno. Ernesto mais dois tripulantes saíram do Rio Grande do Sul no início de junho e chegaram ao Recife no dia 20 de setembro.

Foi uma viagem longa, porém muito proveitosa, já que foi a primeira vez que eles tinham velejado pelo Nordeste do Brasil. “ Nós nunca tínhamos velejado do Rio de Janeiro para cima. Então, essa foi uma oportunidade que tivemos de conhecer o Nordeste do Brasil. A viagem foi boa, e pegamos ventos muito fortes. O que encontramos de diferente em velejar por essa parte do país foram as chuvas repentinas. No Sul, não tem isso”, afirmou Pires, acrescentando que se sente lisonjeado por ter ganhado o troféu.

Ao longo da travessia Rio Grande do Sul- Noronha, eles falaram que não enfrentaram nenhum problema, mas deram um susto em várias pessoas. É que de Salvador a Maceió, eles tinham combinado com alguns barcos maiores de fazer esse percurso juntos. Mas, como o Rebojo era menor que as outras embarcações, acabou ficando para trás. A distância foi tanta dele em relação aos outros barcos, que estes acabaram perdendo o contato com os gaúchos. “Eles tinham chegado de manhã e nós tínhamos chegado à noite, mas só quisemos entrar no porto pela manhã. Todos ficaram muito preocupados conosco”, afirmou Pires. A história que já foi motivo de angustia, agora é contada de forma bem humorada.

Ernesto e seus amigos-tripulantes,
Carlos Wilson Vera e Antônio Azambuja, contaram que o que os motivou a fazer a essa viagem foi a aventura. “Mais legal ainda será a volta, porque iremos parar em várias cidades”, disse Carlos Wilson. “Para fazer uma viagem como essa é preciso ter coragem. Quem tem medo, nunca viria de barco. O segredo para não acontecer acidentes é respeitar o mar. O mar será sempre o mar. Temos que adaptar o barco para as condições dele”, falou Ernesto.

E como bom gaúcho, para aguentar tanto tempo no mar, o que não falta em seu barco é o velho chimarrão. Para se ter uma ideia, eles trouxeram mais de dez quilos de erva-mate para preparar a bebida. “Assim, dá para ir e voltar tranquilo”, pontuou Ernesto. A expectativa de chegada a Jaguarão é em dezembro, mais exatamente, às 12h, do dia 24. “Temos que estar lá para o Natal, se não a gente não ganha presente, né?”, brincaram.

Fonte: Raitza Vieira - Diario de Pernambuco- 30 Set 2010

Recebemos os vídeos e imagens produzidos pelo tripulante Antonio Azambuja durante a viagem do Rebojo. Aguardamos o Diário de Bordo do Comandante Pires para finalizar a edição de alguns filmes relatando com detalhes esta verdadeira odisseia  dos navegadores de Jaguarão. 


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