domingo, 13 de março de 2011

Ode aos bares



À  caverna com arte em ocre vermelho 
Onde se reuniam os Cromagnom
à volta do fogo e da ancestral beberagem
beliscando um picadinho de mamute.


À taberna açoitada pelo vento norte
Onde Stevenson imaginou a Ilha do tesouro,
Um pirata com a garrafa de rum
E um papagaio empoleirado no ombro.


Ao Neri, nas margens do rio,  
Onde a caterva do Galileu
Planejou a fracassada  
Expedição zoobotãnica pela Lagoa!


Às mesas de um boteco da Lapa, 
Tambor do  sambista
Batucando a melodia 
Do orvalho vem caindo,


Ao brandy servido no Café Tortoni
E que aqueceu as tardes de Borges
Enquanto pensava no punhal
Do homem da esquina Rosada,


Aos bagageiros do Patiño,
Que  à espera do trem,  e sem saber,
Construíam o cenário do surrealismo!
Ao perneta y su barra callejera
Cantando esta mulher é uma brasa.


Ao bar primevo, caverna fundamental,
Onde a primeira palavra foi dita!

Jorge Passos
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