sexta-feira, 4 de março de 2011

Luta pela imortalidade

Reproduzimos a Coluna do Juremir Machado no Correio do Povo de hoje


Arte: Pedro Lobo Scaletsky
<br /><b>Crédito: </b> PEDRO LOBO SCALETSKY      Essa não! Merval Pereira na Academia Brasileira de Letras em lugar de Moacyr Scliar? É piada. Só pode ser sacanagem do Macaco Simão. Quem conhece Merval Pereira? É aquele colunista do jornal O Globo cujos textos são quilométricos e planos como certas rodovias atravessando desertos. No caso, imensos desertos de ideias, imagens e figuras de linguagem. Merval Pereira é o grau zero da literatura. Na televisão, os seus comentários são hesitantes, tatibitates, povoados pela inexistência absoluta de humor, ironia ou qualquer frase inteligente. Merval publicou um livro: "O Lulismo no Poder". Um monumento ao reacionarismo rasteiro, trivial e metódico. A grande qualidade literária de Merval é ser da Globo.

Sei, sei: estou com inveja. Eu sou a pessoa menos invejosa do mundo. Só tenho inveja de 6 bilhões de pessoas no planeta. Sou megalomaníaco. Capaz! Se eu fosse, me candidataria para a Academia. A Francesa. Que a brasileira não está à minha altura. Alguém acredita numa bobagem dessas? É pura brincadeira com o senso comum. Dã! Tenho de explicar a piada. Merval Pereira vai concorrer certamente com Antonio Torres, que é um escritor de verdade. O poeta Ferreira Gullar, pelo jeito, não vai encarar. Só pode ser vaidade ou medo de perder. Gullar é um baita poeta, um gigante, da estatura de Drummond, Quintana, Vinicius, Bandeira e João Cabral. "Poema Sujo" é melhor do que Ana Paula Arósio e Gisele Bündchen à disposição da fruição estética numa mesma cama. Imaginem só, perder para o escritor Merval Pereira! Aí é a várzea.

Essa vaga, contudo, devia ficar com um escritor gaúcho: Luiz Antônio de Assis Brasil, Luiz de Miranda ou Luis Fernando Veríssimo. O Miranda merece. É um ótimo poeta. Muita gente nunca o leu, mas não gosta dele com aquela alegação preconceituosa: ele é chato. Assis Brasil é um craque como romancista. Veríssimo é vaidoso demais para candidatar-se. Anotem aí, eu, o invejoso e megalomaníaco, defendo que a vaga do Scliar na ABL poderia ser do Veríssimo, de quem sou o único desafeto. E não comecem com papinho furado do tipo "ele está arrependido, "está pedindo desculpas", "deu o braço a torcer" e outras baboseiras dignas de um Merval Pereira. O problema da ABL é que para cada grande, como Scliar, são escolhidos seis toupeiras como José Sarney, Ivo Pitanguy, Paulo Coelho e outros ainda bem menos cotados.

Qual a importância de pertencer a Academia Brasileira de Letras? Nenhuma. Qual a importância de torcer para um time de futebol? Nenhuma. Então, está visto, é muito importante. Além de extremamente perigoso. Entrou, morreu. Mas não é por isso que estou indicando o Veríssimo. Longa vida ao meu mais célebre inimigo. Na verdade, isso de que o cara dura pouco na ABL é mito. O Sarney está lá desde o século XVIII. Apenas um século depois de ter assumido o poder no Maranhão e chegado ao Senado. De minha parte, quero me equiparar a Machado de Assis. É o mínimo que posso merecer e desejar. Fundarei uma academia. A Academia Palomense de Letras. A APL.

Juremir Machado da Silva
juremir@correiodopovo.com.br
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