sábado, 9 de julho de 2011

O melhor mundo possível


Sujeira colhida pelo Rio

Decididamente não sou daqueles que se alinham como arautos do apocalipse, dos que vêem nas catástrofes naturais sinais dos males que o homem tem feito à natureza, apregoando que, a seguir-se com estes costumes, teremos em breve o fim dos tempos. 
Para os amantes do passado, onde não haveria toda esta agressão, lembro que em 1755, Lisboa foi devastada por um terremoto seguido de Tsunami e incêndio que durou cinco dias. A destruição da cidade pelo sismo gerou grandes implicações políticas, teológicas e filosóficas.   Os judeus diziam que era castigo divino pelas mortes provocadas pela Inquisição, opinião também compartida pelos teólogos protestantes que imputavam à onipresente “mão de Deus” a punição ao fanatismo religioso e sanguinário na atuação do Santo Ofício em Portugal.  Sobre a tragédia escreveu Voltaire: “Agrada-me a ideia de que esses reverendos padres, os da Inquisição, terão sido esmagados tal como as outras pessoas. Servirá isso para ensinar que homens não devem perseguir outros homens: porque, enquanto beatos hipócritas queimam uns quantos na fogueira, a terra abre-se e engole a todos sem distinção.” 

Lixeiras inapropriadas
Mas, deixando as desventuras de nossos patrícios de lado, toda esta introdução foi para dizer-lhes que se não me preocupo com o apocalipse, me preocupo sim com algo mais rasteiro e que tem a ver com esta fronteira e com as pessoas e cães que habitam nela. Refiro-me ao costume pouco civilizado que temos frente a um grave problema da nossa sociedade, o lixo que produzimos e o descarte que dele fazemos. Semana passada, publicamos no Blog da Confraria matéria sobre o acúmulo de resíduos em áreas  de preservação ambiental que afetam sobremaneira as águas do rio Jaguarão. Todos puderam verificar a sujeira que descia rumo à Lagoa depois das fortes chuvas. Mas não é só nas margens do rio. Há locais onde as pessoas depositam o seu lixo muito antes do horário em que passa o caminhão da coleta. Como não temos ainda a decência de separar em sacolas o material que pode e o que não pode ser reaproveitado, muitos catadores fazem seu importante trabalho de seleção nas próprias lixeiras, ocasionando a dispersão dos dejetos pela rua. Além disso, o ataque da horda canina que passeia pela cidade é devastador quando as sacolas estão ao seu alcance.
Canil municipal hospedará esta horda
A implantação da coleta seletiva de lixo (se já existe, divulgá-la melhor) e a disponibilização de coletores adequados em alguns locais seriam caminhos pra amenizar a situação.  O papel fundamental cabe a nós mesmos. Afinal, sobre nosso consumo e suas sobras é que surge o problema. Nas palavras do Mestre em Desenvolvimento econômico da Unicamp, Marçal Rizzo,  devemos praticar a compostagem, a coleta seletiva e os 3 Rs (Reduzir, Reciclar, Reutilizar).
Vivemos no melhor mundo possível. Façamos nossa parte. Cuidemo-lo.

Jorge Passos

Texto publicado na Coluna Gente Fronteiriça do Jornal Fronteira Meridional , edição do dia 30/06/2011.


Em Porto Alegre, começa a coleta de lixo por Conteiner.
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