sábado, 12 de novembro de 2011

Poeta das Águas Doces: Enfim desvendado o mistério!

Luiz Osório, o “Barão”, autor da misteriosa Porto sol
Alcides Gonçalves- Porto Sol

Nesta última quinta-feira, estive na concorrida sessão de autógrafos do jornalista da Rádio Guaíba, Marcello Campos que estava lançando, na 57ª. Feira do Livro de Porto Alegre, “Minha Seresta – Vida e Obra de Alcides Gonçalves”. Na ocasião, tive oportunidade de rever velhas e novas amizades como Dª. Ema Peña Gonçalves, viúva do biografado; Fernando Rozano e Lúcia Jahn, editores da obra; Izabel L’Aryan e Ayrton Pimentel, dirigentes do Sindicato dos Compositores do R.G.S.; os irmãos Guilherme e Gilberto Braga, antigos cantores do nosso rádio; o pianista Paulo Pinheiro e os escritores Luiz Arthur Ferrareto (“História do Rádio no Rio Grande do Sul”) e Paulo César Teixeira (“Darcy Alves – Vida nas Cordas do Violão”).

Através desse último fiquei sabendo que, ao folhear a obra, se deparou com a letra de uma música incógnita gravada por Alcides Gonçalves, reconhecendo-a como sendo aquela intitulada “Porto Sol”, de autoria do seu pai Luiz Osório, o “Barão”, editor do jornal alternativo “Krônica” desta Capital, falecido em 2008. Paulo César me revelou ainda que era vizinho de Marcello Campos e que não tinha conhecimento do esforço infrutífero empreendido nessa pesquisa, concorrendo assim para que permanecesse a aura de mistério até a publicação de “Minha Seresta...” por uma incrível ironia do destino.

Em 2008, publiquei no portal “Caros Ouvintes”, de Florianópolis, três artigos intitulados “Lá se vão 21 anos sem Alcides Gonçalves” e “A Gravação Misteriosa de Alcides Gonçalves”, relatando todo o nosso périplo na procura de esclarecimentos, desde a surpreendente descoberta de uma gravação de Alcides Gonçalves que encontramos em antigas fitas de rolo do acervo do companheiro de noitadas inesquecíveis – Paulo Antônio Coimbra Bastos – grande cantor apenas conhecido daqueles mais íntimos, assim evitando o grande público. Um som impecável na cópia para CD foi obtido pelo técnico Paulo Roberto, da gravadora ACIT.

Nessa fita constavam as faixas: 1) “Alto da Bronze” (Plauto Azambuja/Paulo Coelho); 2) “Cidade Baixa” (Alberto do Canto); 3) “Minha Cidade” (Lupicínio Rodrigues); 4) “PORTO SOL” (LUIZ OSÓRIO); 5) “Porto dos Casais” (Jayme Lubianca); 6) “Praça Quinze” (Alberto do Canto), e 7) “Correio do Povo” (Alberto do Canto). Com exceção de “Minha Cidade” captada na voz do próprio Lupi, as demais melodias foram interpretadas por Alcides Gonçalves. Em contato com Alberto do Canto, prontamente reconheceu as músicas de sua autoria, apesar de não ter se lembrado da existência dessa fita. Também Jayme Lubianca ignorava essa gravação de “Porto dos Casais”. E nem mesmo Lupinho conhecia a melodia original de “Minha Cidade”.

Lupicínio Rodrigues Filho até me contou que fora procurado pela cantora Naura Elisa para obter a partitura de “Minha Cidade” a fim de incluí-la no CD que estava gravando. Procurando atender o prometido pelo velho Lupi, esse seu filho teve de se valer de vários fragmentos da canção conhecidos por alguns artistas para montar as cifras correspondentes. Inclusive, o arranjador de Naura, Marco Farias, chegou a declarar que seria bem mais fácil seguir o original.

Paulo César Teixeira também me falou que só tinha ouvido a música de Luiz Osório num acetato gravado na própria voz do “Barão”. Ontém, acabamos trocando figurinhas quando lhe mandei o áudio dessa “gravação misteriosa” e os textos postados em Caros Ouvintes e ele me repassou gentilmente uma foto do seu pai da época em que atuava como radialista do turfe, além de imagens que escaneou das páginas datilografadas com data de 9 de setembro de 1971 que comprovam plenamente a autoria e o título de “Porto Sol”. Dessa maneira, podemos encerrar as “árduas investigações” que pareciam não ter deixado rastro...

José Alberto de Souza

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