segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

JAGUARÃO


São os rios que constroem pontes
Ruínas ao longe despertam um estranho animal em nós
Que se agita para cá e para lá
Fazendo desta vida uma jaula
Em passos inseguros o humano atravessa construções
Lá em baixo junto às aguas o chão se alaga de verde
Mas o horizonte é largo de azul e branco largo
E esmaga o peito
Esmaga o peito qualquer palavra sem fio de ternura
Esmaga o peito essa palavra mal dita
Entra-nos pelos olhos dentro até que não se veja mais nada
Nada senão um golpe forte abrindo a caverna escura que somos sob a pele
Pudéssemos nós ser alegres
De certeza que nada disto acontecia


Poema dedicado a Jaguarão e a Shane Macgowan no vídeo acima.


O poeta português Paulo José Miranda esteve presente na III Feira Binacional do Livro participando dos Colóquios da Feira comentando a obra Don Frutos de Aldyr Garcia Schlee conjuntamente com o escritor uruguaio Washington Benavides. Paulo recebeu  o Prêmio José Saramago de Literatura em Portugal no ano de 1999 por sua segunda novela. Em Jaguarão participou também do Poesia no Bar. Foi seduzido pela cidade, pelo rio, sua gente.

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