quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Memórias de um pernambucano da gema em Jaguarão


Olá, amigos concurseiros e futuros fiscais!
Aluisio Neto

   O artigo de hoje é dedicado a todos aqueles que irão passar no próximo concurso que houver para a Receita Federal do Brasil e que, certamente, ao se depararem com as opções de vagas, encontrarão a simpática cidade de Jaguarão/RS entre as diversas opções “maravilhosas” de lotação inicial possíveis. Mas, pode ser também para deixar na vontade (de conhecer e, quiçá, viver) os que pretendem conhecer a cidade que guardei no coração para sempre. Vontade de um dia voltar?? Tenho, não posso negar. E voltaria sem pensar duas vezes.



   Jaguarão foi a cidade que eu, assim como muitos que passaram junto comigo no último concurso para AFRFB, escolheu dando um tiro no escuro e acertando, “na mosca”, uma mosca. Foi o melhor tiro no escuro que já dei na vida. Mas, falarei apenas por mim e pela cidade. Desconheço as demais unidades. Venderei apenas o peixe que conheci.

   Simpática, aconchegante, acolhedora, muito boa de viver e morar por muitos e muitos anos. E por que não para o resto da vida? Apesar de todas as limitações de uma cidade de interior e de 30 mil habitantes, o ponto final no extremo sul da BR-116 e do Brasil, Jaguarão é encantadora, cheia de histórias e coisas para serem conhecidas. Que me perdoem os que a acham sem graça e tediosa. Minha estada na Cidade Heróica foi das melhores possíveis, a melhor experiência de vida que puder provar.

   Pesquisei Jaguarão na internet antes de poder escolhê-la definitivamente. Fui o último a conseguir vaga no grupo dos quatro que foram para lá. O quarteto, como disse um dia nossa querida Inspetora. Dela e dos amigos que lá encontrei e deixei, falarei já já.

   Tudo que encontrei na pesquisa foram fotos da Ponte Internacional Mauá, mais algumas fotos da ponte, outras da cabeceira da ponte, outras do vão da ponte e algumas poucas fotos da cidade e das suas ruas. Ô saudade da 27, da Carlos Barbosa, da Uruguai e de tantas outras por onde passei e vivi. E, claro, da Frederico Rache, onde morei. Pertinho do quartel, ao lado do hospital e com vista da janela do quarto para o Uruguai. Saudades desse simpático país.

  Tudo que conhecia e sabia de Jaguarão e região eu consegui na internet e com os poucos amigos gaúchos no curso de formação, que pouco ou nada sabiam da sua existência. Se tive dúvidas em escolhe-la?? Todas as possíveis. Chuí, São Borja, Quarai, Porto Xavier, todas no Rio Grande do Sul, eram algumas das muitas outras opções que cogitei escolher. Morar na fronteira e trabalhar na Aduana era a única coisa que eu tinha certeza a partir do dia que preenchi as opções de lotação. Com a cara e a coragem, já conhecendo meu destino, “rumei” a Jaguarão, como contei no artigo anterior.

   Ao chegar em Jaguarão e desfrutar poucos dias na cidade e na vizinha Rio Branco, no Uruguai, senti ter escolhido a cidade certa. E a opção certa. Era um mundo que um nordestino, pernambucano da gema, jamais teria imaginado viver. Em meio à gauchada e aos uruguaios, um ano e dois meses na fronteira se passaram rapidamente. Voaram. Nem o frio de congelar de junho a setembro me fizeram mudar de idéia. E para quem tinha, em Recife, 20°C como o princípio do apocalipse, um frio de doer, essa seria a temperatura beirando o calor que encontraria em Jaguarão no dia-a-dia. Nos dias quentes, claro. Sinto frio só em pensar nos dias frios que vivi lá. Porém, maravilhosos.

   Tenho que começar falando das instalações da Inspetoria de Jaguarão. Perfeitas! Para quem espera um prédio sujo, acabado, sem estrutura... acho bom rever totalmente os conceitos. Uma pérola. Impecável. Arrisco dizer que, muitas vezes, é mais prazeiroso está no trabalho desfrutando de tudo aquilo do que estar em casa. Tudo sob o comando da pequena grande pajé Priscila, a Inspetora, figurinha de simpatia e atenção únicas. Lá na Inspetoria ainda “vivem” Leandro, gente finíssima e competente, do qual “pouco” se escuta a voz; Gustavo, o cidadão mais chato e gente boa ao mesmo tempo que já conheci, implacável com os muambeiros da fronteira; Cleber, Thiago, Pablo, Suedi, Débora, Edinei, Reginaldo, Andrea, Ricardo e todos os demais servidores completam os demais índios da belíssima oca da IRF-Jaguarão.

   Entretanto, fiquei lotado no Porto Seco, à beira da BR-116, um pouco antes da mesma findar na Ponte Internacional e desembocar no Uruguai. Lá trabalhei durante todo o período que fiquei em Jaguarão. Deixei-a, mas com bastante pesar e saudade de tudo e de todos que lá encontrei. 

   Digo que no Porto Seco tive todas as mordomias que um servidor possa querer enquanto se dedica à nação e a “educar” os contribuintes. Material de trabalho, condições de trabalho maravilhosas, gente educada e harmoniosa, ambiente agradável e seguro... e o famoso lanchinho da sexta-feira. Isso mesmo: toda sexta, religiosamente, pontualmente às 15:30h, desfrutei do bom e velho sanduíche com coca-cola. Pelo menos até a rebelião dos que preferiam salada de frutas. Foi instaurada a salada de frutas. Pelo menos a minha saúde agradeceu.

   Cheguei lá em meio a um frio típico gaúcho, começando a trabalhar com os trânsitos aduaneiros e, pouco a pouco, conhecendo os despachos de importação e exportação na prática. O que era bom, começou a ficar melhor. Logo vieram as primeiras multas, perdimentos... a Aduana é maravilhosa.
Todo o aprendizado inicial foi dado, principalmente, por André, o cara mais paciente e atencioso que já conheci no serviço público, nosso paizão no Porto Seco. Se não souber, fala com o André que ele resolve, ele vai saber o que fazer. Ou pelo menos irá fazer cara de quem sabe, como disse um dia Márcia, e passando aquela confiança que todo mundo perdido precisa. :)

   Tem ainda os famosos e calorosos debates filósofo-científico-político-religiosos travados entre Martin, auditor, poeta e blogueiro, representante da zona sul da sala, colorado e inimigo público número um de Bolívar, zagueiro do Inter, e da Igreja Católica; e Jorge, analista e blogueiro de carreira, gremista e ex-coroinha, representante da zona norte, em busca incessante pela segunda centúria de seguidores. Dos debates, por muitas vezes, participou também César, com sua calma característica, outro colorado apaixonado. Calma, César, calma! Não estresse, por favor. Quando dávamos conta, todo a sala estava envolvida no debate. 

   Figura ímpar é Eduardo, com toda a sua filosofia ambiental, alimentícia, espiritual, partidária, científica e demais áreas afins e não-afins, sempre levantando temas para debate, discussões e alfinetadas. Suas limas e laranjas, plantadas pessoalmente no quintal de casa, sem uso de agrotóxico, venenos e tudo mais que uma vida saudável procura, eram sem dúvidas deliciosas e docinhas. Sempre compartilhadas com os colegas, claro.

   Faltaram apenas as mulheres, que davam a beleza e a simpatia à sala. Beth, com seu coração, paciência e bondade sem tamanho; e Fabiana, minha eterna vizinha, amiga e companheira de prosa durante todo o tempo que morei em Jaguarão, e que, logo, logo, se mandará para sua adorável Porto Alegre. Calma, guria! :)

   Fica minha homenagem e gratidão a todos aqueles que me acolheram e me receberam em Jaguarão, e que fizeram cada dia um belo dia, fazendo esquecer por vezes que eu estava a 4.000 km de Recife e de Pernambuco, minhas queridas capital e Estado. A saudade foi maior e tive que deixar a Cidade Heróica rumo à Terra dos Altos Coqueiros. Por enquanto, ainda estou em Feira de Santana, em pleno sertão baiano, na Cidade Princesa.

   A todos aqueles que irão ficar na imensa dúvida em qual cidade escolher e viver até a próxima remoção, aconselho, de coração, optar por Jaguarão/RS. Vá. Vá de coração aberto e viva a Cidade Heróica; os maravilhosos free shops de Rio Branco; os eventos culturais da cidade e região (poucos, mas de gabarito); o mate ao fim da tarde à beira do Rio Jaguarão; os restaurantes La Fogatta e Batuva, em Rio Branco; o bairrismo do gaúcho da fronteira; os doces de Pelotas; o churrasco gaúcho (para mim, o melhor de todos, apesar disso ser uma redundância); a Ponte Internacional Mauá e seu movimento diário de brasileiros, coisas e uruguaios; a simpatia dos uruguaios; a eterna briga pela superioridade entre os fanáticos gremistas e colorados; poder ir de carro à Montevideo e à Punta del Leste; para os homens, as maravilhosas gaúchas; e tudo mais que a vida na fronteira sul do Brasil proporcionará.

   Por hoje é só. A todos os que estão na luta diária e que, tenho certeza, estão logo mais com a dúvida da lotação, meu incentivo e minha força. É só acreditar. Se alguém tem que passar e ocupar a vaga, esse alguém certamente pode ser você.

   Aos amigos que deixei em Jaguarão, deixo um abraço e a saudade de todos. 

   Até o próximo!
Direito Tributário, Legislação tributária estadual, Legislação tributária municipal
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