segunda-feira, 4 de abril de 2011

Reflexões - Caso Helder Santos


O  fato em si já é  conhecido por todos que acompanharam as entrevistas e notícias.  Com a proporção do caso, e considerando o velho ditado  que diz  “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”, resolvi discorrer sobre o assunto.


A princípio, baseado nos fatos relatados, tivemos uma atuação lamentável de  alguns policiais (que inclusive seriam  de fora da cidade e que estão lotados aqui), quando foi demonstrado um sentimento racista, além de mostrar quanto ainda é falha a formação destes profissionais.   O fato é lastimável  e o amigo Helder deve levar adiante suas denúncias. Agora,   outro fato,  é o que saiu através de entrevistas com a vítima (Helder), onde o estudante cita o fato de existir um Comando  ou Milícia a serviço de um grupo social aqui em Jaguarão.     Bom, se isso é verdade, tem que ser investigado até a raiz (a partir de fatos), porém nada tem a ver com o primeiro caso (abordagem truculenta e racista).    A citação deste caso acabou desviando a atenção do foco principal, embora também seja  uma denúncia grave, que precisa de provas.

Outro aspecto que não pode ficar para trás, foi que nas reportagens que assisti,  Jaguarão aparece como uma cidade perseguidora e racista. Com certeza, e infelizmente,  aqui também tem  pessoas racistas como em qualquer lugar do país, e problemas similares aos de  outras cidades.      Assim, assistindo as entrevistas,  percebi que o Helder, na raiva pelo que aconteceu, imagino,  acabou esquecendo de fazer uma retrospectiva de sua estadia em Jaguarão desde sua chegada em 2010.   Conheço o Helder e sei que é uma pessoa de bem, e tenho certeza que ele irá corrigir este lapso.   Aqui me resta dizer que  foi bem recebido, teve amparo na Unipampa para uma monitoria (se não estou enganado), conseguiu um estágio na Prefeitura Municipal e sempre foi parceiro em várias atividades, em especial ao Movimento Negro.  Não é à toa que muitos jaguarenses se somaram na tentativa de fazer com que  aqui permanecesse, inclusive criando uma comunidade no Orkut. 

Fui Secretário de Cultura e Turismo e  presenciei  isto, bem como o recebi várias vezes em minha casa juntamente com uma galera de estudantes, todos de fora, nessas ocasiões nos brindamos com comidas típicas da Bahia e do Sul, de forma descontraída como nas repúblicas estudantis.   Por tudo isso o  Helder teria fortes e bons motivos para ficar aqui, mas infelizmente, este aspecto não tem aparecido nas reportagens, o que gerou algum constrangimento por várias pessoas que estão juntos com ele na luta contra a discriminação  que sofreu.  Tenho certeza que o estudante baiano conseguirá corrigir estes equívocos gerados pelas reportagens e quero em seguida brindar com sua presença, mesmo que seja em visita, em minha cidade, a qual  nos últimos anos tem feito um resgate intenso da história do negro em Jaguarão, inclusive identificando uma Comunidade Quilombola na Zona Rural.

Por fim, entendo e respeito a decisão pessoal do Helder de retornar para a Bahia, uma vez que não posso julgar seus atos movidos pelo receio  de uma possível vingança,  em função das  cartas que recebeu.      Desejo-lhe toda a sorte do mundo,  e aos meios  de comunicação que deram esta cobertura,  uma retificação em relação à cidade,  separando a ação individual de pessoas desqualificadas com o resto das instituições e da comunidade.


                                                                                                            02/04/2011

              Carlos José de Azevedo Machado (Maninho)

                        Professor e Ativista Cultural
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